Jobim levará proposta de conselho de Defesa a países

24 de abril de 2008 • 16h55 • atualizado às 17h12

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, terá reunião com o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, na segunda-feira (28) e com o do Equador, Rafael Correa, na quarta-feira (30), com quem participará do vôo inaugural da linha entre Manaus e Quito.

Nos dois encontros, ele pretende dar levar a proposta de criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, já apresentada à Guiana e ao Suriname. "Conversei com os presidentes dos dois países, que manifestaram simpatia pela iniciativa, como já havia ocorrido durante conversa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez no dia 14", informou, durante a entrevista em que anunciou, ontem (23), o reajuste dos soldos dos militares brasileiros. 

O ministro disse que também pretende viajar ao Peru, Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile e Bolívia, para reforçar as propostas de realizar uma reunião de cúpula e da criação do conselho.

Segundo o pesquisador Eliezer Rizzo de Oliveira, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp), a idéia de reunir países do continente em um foro já foi defendida, entre outros, pela presidente chilena Michelle Bachelet, quando ocupava o Ministério da Defesa, e pelo próprio Chávez.

Em novembro passado, Jobim viajou ao Chile e ao Equador, onde anunciou que visitaria todos os países da região para propor a realização, em maio deste ano, de uma reunião de cúpula da União dos Países Sul-Americanos (Unasul).

Em fevereiro, durante viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Argentina, o ministro sugeriu em reunião com a ministra da Defesa Nilda Garré e com os comandantes militares locais que, além de facilitar o estabelecimento de uma estratégia conjunta sobre o tema, o conselho possibilitaria a criação de uma indústria privada de defesa sul-americana.

Já na Venezuela, Jobim afirmou que o funcionamento do novo organismo será estabelecido a partir do diálogo entre os vários países da região, ao explicar que o objetivo não é integrar as operações das forças armadas, mas sim promover a integração das bases industriais de defesa da região, o intercâmbio na instrução de oficiais e o treinamento conjunto.

A intenção de Jobim é que a proposta de criação do conselho seja votada pelos chefes de Estado e governo dos 12 países que compõem a Unasul (antiga Comunidade Sul-Americana de Nações), criada em dezembro de 2004 com o objetivo de ampliar o diálogo político e promover a integração econômica, comercial e de infra-estrutura da região.

"Se eles aprovarem a idéia, nós imediatamente criaremos um grupo de trabalho para a formatação do conselho. O grupo será composto por dois representantes de cada país um dos ministérios das Relações Exteriores e outro dos ministérios da Defesa ou equivalente", explicou Jobim.

Em março, o presidente Lula defendeu que o conselho como mediador de conflitos regionais, como a invasão do território equatoriano por tropas colombianas, em que 17 integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) morreram.

Na avaliação do pesquisador da Unicamp, não há necessidade de um novo órgão para intermediar conflitos internacionais. Já para o diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Roberto Troncon, ao estimular a maior integração entre as Forças Armadas dos países da região, o conselho contribuiria, "de modo indireto", para o combate ao crime organizado.

Agência Brasil
 
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