» Sargento transexual quer seguir no Exército
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Fabiane conta não ter sido alvo de piadinhas porque sempre escondeu sua condição de homossexual. Como sargento e na enfermagem, também não tinha muito contato com os soldados. A luta agora é para ser aceito na Força como mulher, como O Dia noticiou sábado. Mais do que mudar de nome, ele busca algo inédito na história das Forças Armadas brasileiras: ter nova identidade e continuar a trabalhar.
Em 2000, a cabo da Aeronáutica Maria Luiza da Silva, 47 anos, foi reformada antes da operação de mudança de sexo e considerada incapacitada para atividade militar. O mesmo destino parece reservado a Fabiane. "Pior, agora querem me expulsar, pelo fato de eu ter menos de 10 anos de Exército. Mas quero continuar como enfermeira, como outras militares", conta o sargento, que pretende com Maria Luiza fazer um movimento pela aprovação, no Senado, da Lei Anti-Homofobia.
"Transexualismo é como câncer: só a operação salva"
Entrevista com Fabiane de Barros Portela
Qual foi a reação dos militares ao seu desejo?
Após uma crise histérica no quartel, fui dopada e obrigada a passar por uma inspeção no hospital do Exército. Ainda tentei sair de lá, mas cerca de 15 oficiais fizeram um cinturão na porta. Me pegaram no colo com truculência e me obrigaram a assinar documentos em que eu nem mesmo sabia o que tinha escrito.
Qual o argumento do Exército para afastá-lo do serviço militar?
Eu só posso ser reformada se for comprovada minha incapacidade física. Alegam que eu causo constrangimento à corporação. Isso, para mim, é a mesma coisa que preconceito.
Há homossexuais no Exército?
Conheci vários lá dentro e fui aconselhada a deixar o bigode crescer, falar com voz grossa e, só em casa, tirar tudo e gritar "cansei". Ou seja, a depravação escondida pode acontecer. O que importa é manter a hipocrisia da instituição.
Quando decidiu mudar de sexo?
O transexualismo é uma doença, mas sempre tentei viver de acordo com meu sexo biológico. Tive namoradas na adolescência, entrei no Exército e fui casada por 4 anos. A minha ex-mulher, por sinal, se tornou a minha melhor amiga. Mas dos 20 aos 30 é a fase da explosão.
Qual foi a reação da sua família?
Todos se assustaram, mas aceitaram quando perceberam que não tinha remédio. O transexualismo não é uma opção sexual. Quem sofre de câncer não tem que operar e fazer quimioterapia? Com o transexual também. Só a operação salva.
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