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Os vizinhos do prédio de três andares arrombaram o imóvel e ajudaram a apagar o fogo com baldes e mangueiras. Segundo eles, as chamas estavam praticamente controladas quando os bombeiros chegaram. A polícia recebeu a informação de que o incidente pode ter sido causado por um isqueiro manuseado por uma das crianças.
"Parece que ele estava brincando com o isqueiro, o fogo pegou em um sofá e se alastrou, mas isso ainda vai ser investigado", observou um policial da 38ª DP (Brás de Pina). O incêndio no apartamento 102, localizado no térreo, teria começado por volta de 1h. Morador do 202, o digitador José Dantas, 45 anos, disse que sentiu cheiro forte de queimado e quando foi ao banheiro se espantou com a fumaça entrando pelo basculante.
"Foi um desespero. Ouvimos o filho pequeno e a mãe gritando. Todos os vizinhos se organizaram em um mutirão na hora e corremos para lá. Pulamos o muro, arrombamos e porta e usamos vários baldes e três mangueiras para apagar o fogo. Quando os bombeiros chegaram, meia hora depois da nossa ligação, só havia alguns pequenos focos", lembrou Dantas.
Segundo o morador, um bombeiro explicou que a demora aconteceu porque a equipe estava em outro incêndio sem vítimas na região. Na tentativa desesperada de salvar a família, os vizinhos chegaram a parar um ônibus da linha 350 (Passeio-Irajá) e pediram ao motorista o extintor de incêndio, mas o equipamento não funcionou. Além da sala, parte da cozinha e o corredor de acesso aos quartos e banheiro ficaram destruídos. O apartamento foi interditado para realização de perícia e retirada do corpo do comerciante.
Dono de uma padaria em Ramos, Arnaldo Carneiro Rodrigues foi encontrado carbonizado na sala, próximo à entrada do corredor. Um vizinho, que pediu para não ser identificado, contou que, pouco antes de desfalecer, o comerciante tentou salvar o filho Carlos Eduardo dos Reis Rodrigues, 13 anos, portador de necessidades especiais.
Carlos Eduardo Rodrigues, Marcos Vinícius dos Reis Rodrigues, 10 anos, e a mãe, Cátia Maria Oliveira Reis, 34 anos, foram levados pelos bombeiros para o Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha. Segundo o hospital, os três deram entrada com queimaduras leves e sintomas de intoxicação por causa da fumaça. "Eu vi muito sangue na roupa da Cátia porque vários vidros se quebraram durante o incêndio", ressaltou um vizinho.
Redação Terra