Na operação, foram mobilizados 500 policiais federais |
Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte
Minas Gerais
» vc repórter: mande fotos e notícias
Segundo a PF, a quadrilha composta por magistrados, prefeitos, advogados, procuradores municipais, assessores e lobistas causou um prejuízo que pode ultrapassar R$ 200 milhões. Os agentes deverão cumprir 100 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão em Minas, Bahia e no Distrito Federal.
A investigação, de acordo com a PF, foi iniciada há oito meses. O esquema consistia em repassar verbas do FPM de forma irregular a municípios com débito no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Essas cidades fizeram um acordo legal com o INSS para ter 6% do FPM bloqueados com intuito de suprir o que deviam.
Entretanto, a PF apontou que as prefeituras contratavam escritórios por meio de lobistas, sem licitação, e dois juízes envolvidos, por meio de tráfico de influências, impediam o bloqueio do acordo. Uma parcela desse pagamento retornava para os prefeitos.
O delegado da Polícia Federal, Mário Veloso, que presidiu a investigação, diz que há provas nos processos de que os juízes recebiam vantagens financeiras em troca das concessões das liminares.
Um dos lobistas que faz ligação entre as prefeituras e escritórios contratados é um empresário de uma dupla sertaneja. Segundo a PF, os juízes eram convidados a participar do esquema em festas.
Na operação, foram apreendidos vários carros na casa de pessoas envolvidas. A ação foi realizada nas cidades mineiras de Almenara, Cachoeira da Prata, Conselheiro Lafaiete, Timóteo, Divinópolis, Ervália, Juiz de Fora, Minas Novas, Salto da Divisa, Medina e Rubim. A PF também cumpriu mandados nas cidades da Bahia de Sobradinho e Itabela.
Na operação, foram mobilizados 500 policiais federais. Compõem as equipes 23 analistas de finanças e controle da Controladoria Geral da União.
Os investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, exploração de prestígio, fraude a licitação, quebra de sigilo de dados e lavagem de dinheiro. As penas, somadas, podem chegar a vinte anos de prisão, além de sonegação fiscal a ser apurada pela Receita Federal.
Redação Terra