Em meio à epidemia de dengue, homossexuais estão revoltados com a impossibilidade de doar sangue e ajudar vítimas da doença. Determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe que "homens que tiveram relações sexuais nos últimos 12 meses com outros homens" sejam doadores, mesmo que tenham feito sexo com camisinha. A medida é questionada por militantes gays.
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"O que existe hoje é um comportamento de risco que qualquer um pode ter. Não importa a orientação sexual. Basta transar sem camisinha", rebateu o estilista Carlos Tufvesson.
A Anvisa justifica em parecer técnico: "a prática sexual entre homens está associado a um risco acrescido de contaminação pelo HIV. Por isso, a exclusão dos homossexuais e bissexuais masculinos da doação de sangue é uma medida que contribui na proteção dos receptores de transfusão de sangue".
Segundo a chefe da seção de atendimento do Hemorio, Naura Faria, apesar de todo sangue passar por testes antes das transfusões, há o risco de "janela imunológica". "É o período quando a pessoa se expôs a um determinado fator de risco e foi infectada pelo vírus, mas o organismo ainda não produziu a quantidade de anticorpos suficiente para ser detectada nos testes", explica. Diretor-adjunto do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa garante que a medida é baseada em estudos.
Julio Cesar Carneiro Moreira, diretor sócio-cultural do Grupo Arco-Íris, já foi impedido de doar sangue, depois de ser sincero e afirmar no questionário do Hemorio que havia feito sexo com homem meses antes. "Me incomodou muito. Não pude fazer bem ao próximo. Meu sangue não seria examinado? Isso é discriminatório, já que qualquer pessoa pode se contaminar. Essa decisão coloca doenças como sendo só de homossexuais. Sangue gay é sangue bom".
Personalidades também são contra a regra
Personalidades do meio gay acreditam que em vez de analisar a orientação sexual dos doadores, a Anvisa deveria avaliar o comportamento deles. "O fato de um cidadão ser homo ou heterossexual não caracteriza o padrão de sexo que ele faz, seguro ou promíscuo", opinou o autor de novelas Ricardo Linhares. Para o carnavalesco Milton Cunha, colunista de O Dia, a medida é uma legitimação do preconceito pela lei. "A legislação segue o senso comum e desinformado, enquanto aumenta o número de senhoras casadas com Aids. A ironia é que basta mentir no questionário que o sangue é aceito", diz.
Surpreso, o ator Guilherme Weber, que viveu o polêmico Benny, um homossexual promíscuo e portador do vírus HIV na minissérie global "Queridos Amigos", também é contra a determinação. "É uma visão antiga. Hoje sabemos que há muitos heterossexuais infectados", opinou o artista.

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