Pai gritava que tinha ladrão no prédio, diz vizinha

31 de março de 2008 • 15h24 • atualizado em 11 de abril de 2008 às 16h07
Alexandre Nardoni chega ao 9º DP, em São Paulo, após se entregar Foto: Ricardo Brito/Especial para Terra
Alexandre Nardoni chega ao 9º DP, em São Paulo, após se entregar
03 de abril de 2008
Foto: Ricardo Brito/Especial para Terra

Hermano Freitas
Direto de São Paulo

São Paulo


Uma moradora do prédio onde vive Alexandre Nardoni, pai da menina Isabella de Oliveira Nardoni, 5 anos, morta na noite de sábado depois de ser atirada de um edifício na zona norte de São Paulo, diz que o pai gritou muito no momento em que desceu do apartamento para o jardim, onde estava o corpo da filha. "Ladrão, ladrão! Ninguém sai do prédio porque tem ladrão!", teria dito, aos berros. A vizinha diz que está traumatizada com o fato e pediu para não ser identificada.

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Isabella caiu do prédio volta das 23h30 do último sábado. Segundo os bombeiros, a menina chegou a ser socorrida e levada para o Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 0h. O delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º Distrito Policial (DP), disse que a morte será investigada como homicídio, pois a tela de proteção da janela foi cortada. Havia marcas de sangue no quarto da criança, o que, segundo o delegado, reforça a tese de que ela foi agredida antes de ser jogada.

A vizinha conta que estava dormindo no momento em que a tragédia ocorreu e que acordou com os gritos do pai. Ele teria mostrado preocupação de que ninguém saísse do prédio.

O boletim de ocorrência do homicídio registra que ela foi atirada da janela de um quarto diferente do que foi colocada para dormir. Segundo a polícia, Isabela foi deixada pelo pai no quarto em que costumava ficar. No entanto, a tela que estava cortada era a da janela do dormitório em que os meio-irmãos dormiam.

Segundo o pai da vítima, Isabella estava sozinha no apartamento no momento em que foi jogada da janela. Ele afirmou que deixou sua mulher e os dois filhos do casal no carro, enquanto subiu para colocar a menina, que já dormia, na cama.

O pai da vítima teria então trancado a porta, descido para ajudar a carregar as outras duas crianças, e, ao voltar ao apartamento, destrancou a porta, entrou e viu a tela cortada e a filha caída no gramado em frente ao prédio. Entre o momento de colocar a filha na cama e a volta ao quarto teriam passado de 5 a 10 minutos, de acordo com o depoimento do pai.

Segundo a polícia, também havia marcas de sangue no quarto da criança, o que reforça a tese de que ela foi agredida antes de ser jogada pela janela. No domingo, a perícia feita pela Polícia Técnico-Científica confirmou que a rede de proteção da sacada foi cortada propositalmente por objeto cortante.

Ainda de acordo com as informações do boletim de ocorrência, Isabella apresentava ferimentos na testa e na perna direita, ambos com sangramento, ao ser atendida no pronto-socorro da Santa Casa.

O corpo da menina foi enterrado na manhã de hoje no Cemitério Parque dos Pinheiros, em Jaçanã.

Redação Terra
 
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