Rio perde 5.975 policiais militares em seis anos

31 de março de 2008 • 02h41 • atualizado às 02h41

Thiago Prado

Rio de Janeiro


A Polícia Militar do Rio de Janeiro perdeu, de 2003 a 2007, exatos 5.972 oficiais e praças. Os dados são de um estudo divulgado semana passada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e do Departamento Geral de Pessoal (DGP) da PM. O declínio de integrantes da tropa já é tão grande que supera, por exemplo, o atual efetivo dos batalhões das zonas norte e oeste juntos. Assinado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, o levantamento ainda conclui que a PM do Rio é superada por outros estados importantes, no quesito coletes a prova de balas e viaturas.

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A pesquisa mostra um sobe-e-desce no número de PMs no Estado ao longo dos anos. Há cinco anos, a corporação tinha 43.774 policiais e hoje conta com 37.802 no quadro interno. Neste meio tempo, chegou a ter até menos homens do que atualmente (36.416 em 2005).

"O efetivo pode diminuir por vários motivos. Os policiais podem ir para a reserva, com problemas de saúde ou expulsão da corporação", afirma Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. No ano passado, a PM concluiu um concurso em que chamou 2 mil aprovados para se tornarem praças. No entanto, o grupo de recrutas ainda está em fase de treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap).

Dinheiro é gasto mais com material
A partir da análise dos dados, o estudo conclui que as políticas estaduais de segurança do Brasil vêm se preocupando mais com a aquisição de armas letais e viaturas do que com o aumento do efetivo. De 2003 para 2006, o país passou do contexto de 452 para 453 habitantes por PM. Já no quesito viaturas, o país melhorou e passou de 8,5 para 6,6 profissionais por veículo no período. Neste caso, também foram contabilizados os veículos da Polícia Civil em todo o território nacional.

Com relação aos coletes à prova de balas, chama a atenção a diferença da PM do Rio em relação à correspondente em Minas Gerais, por exemplo. No último dado coletado pela Senasp, em 2005, a corporação fluminense tinha 8.555 equipamentos deste tipo contra 20.657 da polícia mineira. Com isso, o Rio tinha 0,278 coletes por profissionais contra 0,618 de Minas.

"Seis mil policiais mortos no Brasil em cinco anos nos aproxima da Guerra no Iraque, pois em cinco anos os estadunidenses tiveram quatro mil soldados mortos. Só que lá há uma guerra , enquanto aqui teoricamente não. Os números deixam patente que vivemos uma guerra civil não declarada", diz o presidente da Associação de Militares e Especialistas, Melquisedec Nascimento.

Distribuição de efetivo na ordem do dia
Desde a semana passada, O Dia vem publicando uma série de reportagens mostrando que os batalhões da zona sul e do centro são privilegiados em detrimento de outras unidades do estado. Na primeira reportagem, ficou provado que os batalhões que têm os piores índices de efetivo por população são os das zonas norte e oeste e Baixada Fluminense. Nestes locais, o Instituto de Segurança Pública (ISP) aponta que o índice de roubos a transeuntes cresceu acima da média do Estado.

Depois, mostrou-se que o Rio tem, atualmente, um número de vigilantes particulares que é maior do que o de PMs nos batalhões da capital: são quase 30 mil seguranças privados.

Neste domingo O Dia mostrou o número de viaturas e cabines de cada unidade da Região Metropolitana do Rio. Novamente, os batalhões da Zona Sul e do Centro foram privilegiados na distribuição dos recursos logísticos da Polícia Militar.

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