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Dengue: agentes podem invadir casas a partir de hoje

26 de março de 2008 06h09 atualizado às 10h24

A partir de hoje, agentes de saúde podem entrar em imóveis mesmo que o proprietário não permita para procurar focos do mosquito Aedes aegypti, que já matou pelo menos 31 pessoas na cidade em 2008. Eles estão autorizados, por decreto do governador Sérgio Cabral publicado nesta terça-feira no Diário Oficial, a chamarem chaveiro para arrombar o imóvel e pedir o auxílio da PM caso o trabalho de procura de focos não seja permitido logo na primeira visita. Também nesta terça, o Ministério da Defesa adiantou que enviará em torno de 400 militares ao Rio para ajudar no combate.

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"Nosso objetivo não é levar a polícia, mas se o morador soltar cães ou ameaçar os agentes, a PM será chamada e ele pode ser levado à delegacia. Além disso, poderá ser multado", diz o subsecretário jurídico da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, Pedro Di Masi. As multas para residências vão até R$ 2 mil. E, para empresas, são de até R$ 200 mil.

O decreto vigora nas áreas "afetadas pelo desastre". Além do município, que segundo o DO tem taxa de incidência de 346 casos por 100 mil habitantes - o que caracteriza epidemia -, a lei vale para Campos, Angra, Natividade, Cantagalo, Belford Roxo, Caxias, Nilópolis, Niterói e São Gonçalo, entre outros. "Caso o imóvel esteja vazio, o agente não pode entrar na primeira visita, e deixa aviso de retorno. Caso na segunda vez o responsável não seja encontrado, os agentes deixarão outra notificação e, na terceira vez, o imóvel será aberto".

Na primeira vistoria, então, o imóvel não vai ser multado por ter foco. O responsável receberá notificação com data para cumprir exigências, como a cobertura de caixa d¿água. Caso não cumpra no prazo determinado, receberá multa que varia de R$ 200 a R$ 200 mil.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, garantiu que homens das Forças Armadas vão agir em duas frentes: na identificação dos focos e no atendimento a pacientes. Apenas ontem, foram feitas 1.916 notificações de dengue. Desde o início do ano 26.688 pessoas tiveram a doença na cidade - o número já é maior do que o registrado em todo 2007. A situação é crítica também em Campos e Angra, que já enfrentam surtos.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem a 31ª morte, de uma mulher. Mas as crianças são as principais vítimas. Ontem, o secretário municipal de saúde, Jacob Kligerman disse que foi surpreendido. "Não esperávamos que fosse ter uma situação tão grave em relação a crianças. A rede precisa ser ampliada. Temos consciência disso e vamos ampliá-la". Kligerman afirmou ainda que o carioca tem que se habituar. "Agora, vamos ter que nos habituar a conviver com o vírus. Ele veio para ficar", disse, pedindo ajuda da população e anunciando a abertura de leitos.

Ontem, o Ministério da Saúde afirmou que 100 novos profissionais começaram a trabalhar. Outros 70 começam hoje. Sexta-feira, a Secretaria de Estado de Saúde publicará anúncio convocando clínicos, pediatras e intensivistas para contratos emergenciais.

O Programa de Controle da Dengue teve corte no Orçamento da União de 24,9% segundo constatou o Instituto de Estudos Socioeconômicos: era de R$ 18,7 milhões e foi para R$ 14,04 milhões.

Secretário municipal de Saúde manda carioca procurar postos mas faltam médicos e não há agilidade nos exames de sangue

Enquanto o secretário municipal de Saúde, Jacob Kligerman, fazia, ontem, apelo para que a população procurasse os postos de saúde do município aos primeiros sintomas da dengue, os cariocas sofriam sem conseguir fazer nessas unidades sequer exames de sangue - essenciais para diagnosticar a doença precocemente.

"Temos 136 postos de saúde, dos quais 27 trabalham integralmente e 240 leitos para hidratação. Faço apelo à população para que não procure apenas hospitais", disse. O entregador Alex Messias Branco, 33 anos, foi ao posto de saúde mais perto de casa, em Bangu. Mas devido à falta de médicos precisou levar sua esposa, Sílvia Pereira Liz, 27, grávida de cinco meses, no Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo. "Minha mulher está com suspeita de dengue e ficamos preocupados com o bebê."

No Centro Municipal de Saúde de Bangu, a coleta de sangue é feita só nas manhãs de terça, quarta e quinta-feira. E é preciso chegar às 5h da manhã para pegar senha. O resultado demora em média 15 dias. No PAM Doutor Manuel Guilherme da Silveira, no Ponto Chic, o resultado sai em uma hora, mas as coletas devem ser agendadas e, ontem, só havia vaga para daqui a um mês. Já no Posto de Saúde de Padre Miguel, não havia clínico de plantão ontem.

o Albert Schweitzer, ontem, o tempo médio na fila era de cinco horas. "Estamos aqui desde 8h", disse Ozite Junqueira, 38 anos, que estava com o filho Yuri, 8. Presidente do Cremerj, Márcia Rosa Araújo critica a falta de estrutura. "Parece que a culpa é do médico, mas a maioria dos postos não faz o hemograma no mesmo dia".

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