SP perde R$ 528 mi por ano com caos no trânsito

24 de março de 2008 • 09h35 • atualizado às 09h48

Os congestionamentos na cidade de São Paulo provocaram, em 1998, gastos da ordem de R$ 278 milhões. Em 2008, os mesmos gastos alcançarão R$ 528 milhões. A estimativa é baseada na correção do período pelo IPCA, pois a Associação Nacional do Transporte Público (ANTP) está em tratativas com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) para refazer a pesquisa, se possível, ainda neste ano.

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A perda de competitividade perante outras cidades é uma realidade. Os sinais de saturação são visíveis e vão piorar caso não se dê início imediato a um mutirão de ações imunes a qualquer tipo de interrupção e ou interferência por pelo menos duas décadas à frente. São Paulo não está sozinho.

O cálculo contabiliza os custos com a emissão de gases poluentes (doenças respiratórias), consumo de combustíveis, impacto no sistema de transporte coletivo e tempo gasto nos engarrafamentos.

Em 1998, os congestionamentos de São Paulo exigiram um gasto a mais de 198 milhões de litros de gasolina e 3,6 milhões de litros de diesel. O impacto no transporte de passageiros motivou um número maior de ônibus para manter a mesma oferta. E o cálculo para determinar o tempo perdido levou em conta uma matriz de salários médios.

Com 21,5 milhões de habitantes, 50 mil ônibus e 33 milhões de viagens/dia, a Cidade do México introduziu, dois anos atrás, o sistema expresso chamado de Metrobus, com ótimos resultados. A primeira linha, de 20 km, transporta hoje 220 mil passageiros/dia. Estão previstas mais dez linhas, totalizando 200 km, e a projeção é chegar a 570 km dentro de seis anos. "47 mil toneladas de CO2 foram eliminadas com o Metrobus. A cidade está reprojetando seus bairros e áreas públicas", conta a brasileira Adriana Lobo, diretora geral do Centro de Transporte Sustentável do México.

O inusitado é que o Brasil, nos anos 80, descobriu como mover muita gente usando uma engenharia que acabou sendo referência internacional, mas internamente, no entanto, construiu somente 400 km de corredores de ônibus, sendo metade concentrada em São Paulo (100 km), Curitiba (72 km) e Porto Alegre (50 km).

"Qualquer mudança exige uma pré-disposição do poder público e da sociedade. Privilegiar o transporte coletivo vai desagradar os usuários de carros", afirma o pesquisador do IPEA, Alexandre Gomide.

O transporte coletivo atende hoje 30% da demanda total de viagens urbanas no Brasil, mas 60% das cidades com população acima de 300 mil habitantes ainda não dedicaram prioridade a este tema. Vale lembrar que a Constituição de 88 definiu que o transporte coletivo é um serviço público essencial e que a responsabilidade é das prefeituras. O Brasil possui 42 cidades com mais de 500 mil habitantes. Bolívia, Venezuela e Chile têm quatro cada um, Argentina 6 e Colômbia 9.

Gazeta Mercantil
 
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