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 Operação contra fraudes em Maricá prende 3 pessoas
19 de março de 2008 03h56

A Operação Terra, desencadeada por agentes da 82ª DP (Maricá) para desbaratar uma quadrilha acusada de fraudar licitações no município do Rio, prendeu três pessoas nesta terça-feira, entre elas, o secretário executivo e de Integração do município, Jarbas Brizola, sobrinho do ex-governador Leonel Brizola. O esquema beneficiava empresas que recebiam valores altos para prestar serviços à prefeitura, mesmo sem a estrutura necessária. Segundo a polícia, as fraudes causavam prejuízos anuais de pelo menos R$ 4,5 milhões.

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Além do secretário, capturado na estrada a caminho do Rio, foram pegos, em Maricá, seu cunhado, Carlos Alberto Pinheiro, dono da gráfica Filhos Pinheiros Ltda, uma das empresas que forneciam material à prefeitura; e, no Rio, Milton da Silva Bento, funcionário da empresa J. América e 'laranja'. Após quatro meses de investigações, foram expedidos sete mandados de prisão pela 2ª Vara Criminal de Maricá.

Empresários foragidos
Os R$ 4,5 milhões totalizavam o valor pago à J. América pelo contrato de empréstimo de máquinas e equipamentos de terraplenagem. A empresa tem como proprietários dois foragidos: os irmãos José Mauro e Alberto da Rocha Pinto. Cunhado do prefeito de Maricá, Ricardo Queiroz (PMDB), o gerente da empresa depôs e foi liberado.

"Os contratos de quatro empresas indicam irregularidades e, por isso, fizemos extensa busca de documentos para reunir provas. Ainda não há, porém, indícios de envolvimento do prefeito", afirmou a delegada da 82ª DP, Roberta Carvalho.

Apesar disso, era o secretário Jarbas Brizola quem operava na área de licitações com carta-branca. A ele respondiam as superintendências de Projetos Especiais, do Aeroporto, de Obras e Serviços Públicos, de Agricultura, Pecuária e Pesca e de Secretaria Executiva. O Dia procurou representantes dos acusados da Operação Terra, mas não obteve respostas.

Notas fiscais e computadores apreendidos
Além dos sete mandados de prisão, o juiz Daniel Vianna Vargas, da 2ª Vara de Maricá, expediu mandados de busca e apreensão para 12 endereços de empresários suspeitos de participar das fraudes, suas empresas e até para o gabinete do secretário Jarbas Brizola dentro da prefeitura. Nesses locais foram recolhidas dezenas de sacos de documentos, além de computadores e notas fiscais, que serão analisadas na seqüência da investigação.

Num dos endereços, na Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel, funciona a ARP Comércio de Material Médico. Segundo a polícia, o único cliente da empresa é a Prefeitura de Maricá.

A quarta empresa investigada por ser beneficiada nas licitações é a JMA Diagnóstica Científica e Hospitalar Ltda, no Engenho Novo.

Dois funcionários usados no esquema como 'laranjas' também estão foragidos, além dos irmãos Rocha Pinto, verdadeiros donos da J. América. São eles Mário Lúcio da Costa Novaes e Sandra Rangel Rodrigues. A polícia acredita que a notícia da operação vazou e, por isso, alguns dos alvos conseguiram escapar.

MPF denuncia sete à Justiça em Campos
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça ontem 18 pessoas por suspeita de envolvimento em fraudes na Prefeitura de Campos. O MPF pediu que sejam transformadas em preventivas as prisões temporárias de sete acusados. O esquema foi revelado durante a Operação Telhado de Vidro, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no dia 11.

Tiveram a preventiva pedida o procurador-geral do Município, Alex Campos; o coordenador de Bolsa de Estudos da prefeitura, Francisco de Assis Rodrigues; o secretário de Desenvolvimento, Edilson de Oliveira Quintanilha; o presidente da Fundação José Pelúcio, Marco Antônio França de Faria; o presidente da Cruz Vermelha de Nova Iguaçu, José Renato Muniz Guimarães; o empresário Ricardo Luiz Paranhos Pimentel, que seria articulador das fraudes nas entidades filantrópicas; e o empresário do setor cultural Antônio Geraldo Seves.

Eles deverão responder por crimes como formação de quadrilha, prevaricação, extorsão, falsidade ideológica e corrupção ativa e passiva, entre outros.

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