Uma susposta terceira vítima da empresária Sílvia Calabresi de Lima, 42 anos, depôs hoje à tarde no 5º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia (GO). Segundo a polícia, Lorena Coelho Reis, 20 anos, disse que morou com Silvia quando tinha 14 anos e foi vítima de maus tratos por quase um ano.
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"Eu achei que tinha parado em mim, mas pelo que vi não (parou)", disse. Sílvia foi presa em flagrante na manhã de ontem, junto com a empregada doméstica Vanice Maria Novaes, 23 anos, acusadas de torturar e manter sob cárcere privado em seu apartamento em um bairro nobre de Goiânia uma menina de 12 anos por dois anos.
Segundo a delegada Carolina Paim, titular do 5º DP de Aparecida, Lorena disse que era submetida a maus tratos, trabalho escravo e não podia manter contato com a família. Também afirmou que passou fome muitas vezes. Conseguiu fugir no aniversário de 15 anos, quando Sílvia a deixou dormir na casa do pai. A suposta vítima disse que, no tempo em que ela ficou na casa da suspeita, era vedado seu acesso à geladeira, ao armário com comida e ao telefone.
Lorena teria conhecido Sílvia quando foi procurar emprego em um salão de beleza. Segundo a polícia, a empresária lhe ofereceu uma chance como empregada em sua casa, na época em um condomínio fechado. Antes de completar 15 anos, parou de reclamar dos maus tratos, conseguindo a confiança de Sílvia. Na festa de aniversário, a empresária a deixou dormir na casa do pai. Ela aproveitou a chance para falar sobre as agressões e fugir.
Hoje pela manhã, a delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que responde pelo caso, ouviu uma adolescente de 11 anos que também teria sido maltratada pela empresária há seis anos.
De acordo com a polícia, Lorena disse que conheceu a susposta vítima de 11 anos e que teria visto algumas cenas de maus tratos contra a criança.
A menina de 11 anos disse à delegada Adriana Accorsi que, durante quatro meses, sofreu maus tratos parecidos com a da menina de 12 anos libertada na segunda-feira. Ela disse ter sido espancada com mangueira, queimada na mão com ferro de passar roupa, tido os olhos e a boca atingidos por molho de pimenta e sido amarrada diversas vezes.
Nos casos das meninas de 11 e 12 anos, a empresária teria pedido às mães que a deixasse "oferecer uma vida melhor" às jovens.
O caso da menina de 11 anos foi denunciado na época ao Conselho Tutelar pela escola onde a menina estudava. Sílvia foi processada e condenada a prestar serviços comunitários.
Marido
O engenheiro Marcos Antônio Calabresi, marido de Sílvia, não compareceu hoje à tarde para depor, como combinado na DPCA. O advogado de defesa da família disse que ele está "psicologicamente abalado", mas deve se apresentar na quarta-feira pela manhã. A delegada disse que pode indiciá-lo por omissão e que se ele não se apresentar até o fim do inquérito irá pedir sua prisão preventiva.
Marco Antonio afirma - por meio do advogado - desconhecer as agressões praticadas pela mulher. Contudo, em entrevista a uma emissora local, a menina de 12 anos revelou que uma vez o engenheiro a encontrou amordaçada com um pano embebido com pimenta e prometeu tirá-la da casa, sem nunca ter cumprido a promessa.
Sílvia e Vanice foram encaminhadas na terça-feira de manhã para a Casa de Prisão Provisória (CPP), na região metropolitana de Goiânia. A empresária culpa a empregada pela tortura à menina, e que a "sua culpa" foi omitir o fato. Já a empregada diz que era ameaçada pela patroa - que a pediria para amarrar e colocar pimenta na menina.
A menina libertada na segunda-feira confirmou à imprensa hoje que a empregada a amarrava e a agredia em troca de alívio no serviço. E confirmou que a empresária a torturava. Os pais biológicos da menina de 12 anos a encontraram hoje à tarde no abrigo onde ela foi acolhida desde que foi libertada pela polícia. Eles confirmaram pela manhã que não sabiam das agressões.
O Conselho Tutelar de Goiânia vai pedir à Justiça que a menina permaneça no abrigo por pelo menos dois meses, até se recuperar psicologicamente. Os pais biológicos vão passar por uma avaliação social para saber qual deles têm condições de cuidar da menina. Adriana Accorsi disse que, em depoimento, a criança só falava no nome do pai.
- Redação Terra

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