Silvia Calabresi de Lima foi presa em flagrante sob suspeita de torturar a menina que criava |
Márcio Leijoto
Direto de Goiânia
Brasil
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Inicialmente, a polícia divulgou que a menina que fez a denúncia hoje teria 15 anos, mas a informação foi retificada. Nesta manhã, a empresária Sílvia Calabresi foi encaminhada para uma cela da Casa de Prisão Provisória (CPP). Ao sair das dependências da DPCA, ela disse à imprensa que se considera uma pessoa normal. "Eu a colocava de castigo, mas era normal, deixava ela sentada", disse aos jornalistas. A empregada de Silvia, Vanice Maria Novaes, 23 anos, detida junto com ela, também foi levada para a CPP.
O marido da empresária, o engenheiro Marco Antonio Calabresi, deve se apresentar hoje à tarde para a delegada Adriana Accorsi, titular da DPCA. O advogado dele antecipou à polícia que ele não sabia das torturas, mas a polícia não descarta a possibilidade de indiciá-lo.
No apartamento de 600 m² no Setor Marista, uma das áreas mais valorizadas de Goiânia, ainda viviam um filho do casal de três anos de idade e a mãe da empresária, uma idosa de 83 anos. O filho do casal não sofria nas mãos da mãe, segundo a polícia.
A menina de 12 anos foi encontrada amordaçada com um pano embebido em pimenta. Ela estava amarrada em uma escada, com os pés suspensos no ar e envoltos - assim como as mãos - em sacos plásticos. Os olhos estavam inchados.
A adolescente libertada na segunda-feira disse na delegacia que era vítima de tortura há mais ou menos 4 meses, e que era tratada como "filha do demônio" e que "seria castigada". Ela seria também obrigada a fazer trabalhos domésticos. Segundo o relato, as sessões de tortura envolviam alicates, cadeados, mordaça, pimenta nos olhos e na boca, mutilações nos dedos e na língua, sono interrompido, agressões físicas e pressão psicológica.
Os pais biológicos da menina de 12 anos, Lourenço Rodrigues e Joana D'Arc da Silva, estiveram pela manhã na DPCA, onde depuseram. Eles são divorciados e disseram que não sabiam que a filha estava passando por esta situação. A delegada ainda analisa se devolve a criança aos cuidados dos pais. "Diante de tudo que verificamos junto ao Conselho Tutelar, nós esperamos que a criança permaneça sob os nossos cuidados por este momento".
Redação Terra