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 Desperdício de água não é culpa do cidadão, diz ONG
18 de março de 2008 03h38

O desperdício de água no País não é culpa do cidadão comum. A advertência é do secretário-geral da organização não-governamental Defensoria da Água, Leonardo Morelli. De acordo com ele, o agronegócio é responsável por 70% do consumo de água e a indústria, 20%. Somente 10% são consumidos pela população. Com base nesses números, ele condena o foco das campanhas para que o cidadão economize água no seu dia-a-dia.

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"Tem de acabar com essa papagaiada de que precisa tomar banho rápido para economizar água. A economia seria muito mais efetiva se as indústrias diminuissem o consumo. O cidadão comum é o mais consciente", afirma Morelli, para quem o maior prejudicado pela poluição dos lagos e rios é o brasileiro, que já paga caro pela água.

Em ação conjunta com a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), a Defensoria da Água defende a cota gratuita de 45 litros de água por dia para cada cidadão brasileiro.

"Vamos lutar por isso. Temos um abaixo-assinado e pretendemos reunir dois milhões de assinaturas", avisa Morelli, que pretende levar essa discussão ao Fórum Social Mundial.

Liderança
A ONG apresentou um relatório com uma lista das empresas que mais poluem a água no Brasil. Em primeiro lugar ficou a Petrobras, seguida de Shell, Rhodia e CSN. A mineradora Vale ficou em décimo.

Para Leonardo Morelli, a liderança da empresa brasileira está atribuida ao pequeno investimento em meio-ambiente.

A poluição da estatal se explica por seu tamanho, ação territorial e pelo grande uso de matérias-primas, argumenta Morelli.

"Eles investem muito pouco em meio ambiente. Para se ter uma idéia, a estatal investe só 0,5% em meio ambiente, mas omite os dados no balanço."

As sacolas plásticas são o maior agente poluidor dos rios e lagos no Brasil, revela o estudo. Sem o uso de novos materiais biodegradáveis, adverte a ONG, os lixões dos grandes centros esgotarão suas vidas úteis em cinco anos. Para Morelli, as pessoas precisam ter voz ativa para denunciar as irregularidades.

"É fundamental que tenha um controle das agências agrícolas e industriais, através de um sistema de fiscalização social, criando um cadastro de inadimplência, ou seja, empresas poluidoras, não poderão ter financiamento. Mas nada será feito se o cidadão brasileiro não lutar, não denunciar e nem exigir políticas públicas para a questão do lixo", afirma Morelli.

Jornal do Brasil
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