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Dengue: maioria das vítimas tinha entre 2 e 19 anos

14 de março de 2008 04h11

Mais da metade das pessoas que morreram com dengue no Estado têm até 19 anos, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil. Das 33 pessoas mortas pela doença desde o início do ano, 20 tinham entre 2 e 19 anos. Temerosos, muitos pais têm corrido às farmácias em busca de repelentes infantis: a marca mais famosa já não é encontrada em vários locais.

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"Meu filho está com febre e vomitando muito. O médico disse que é dengue, mas que ele não precisa de internação. A gente fica muito preocupada porque sabe dos casos graves e das mortes de crianças", disse Tereza Cristina Santos, 36 anos, que levou ontem o filho Adriano, 9 anos, no Hospital do Andaraí.

Tereza conta que Adriano não é o único que teve dengue na sua casa. "Meu filho mais novo teve dengue há pouco tempo. Agora, o sofrimento começa novamente. Espero que Adriano também se recupere logo."

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O número de casos hemorrágicos da doença registrado desde o início do ano até ontem já é maior do que o total notificado no ano passado. Até ontem, 245 pessoas tiveram a forma hemorrágica da doença, segundo o Estado. Em 2007, foram 218 casos no Rio de Janeiro.

O número de pessoas que precisaram ser internadas devido à doença no Estado já é quatro vezes maior do que no ano passado. Desde o início do ano, 1.681 moradores do estado com dengue foram hospitalizados.

A cidade do Rio concentra o maior número de casos de dengue. Desde janeiro, 17.010 casos de dengue foram registrados na cidade.

"A gente fica apavorada. Os hospitais estão todos cheios, com crianças chorando, mas a gente tem que esperar. Meu filho está com febre e estou com medo que seja dengue", disse Amanda Porcina, 23 anos, mãe de Luciano, de apenas 1 ano e três meses.

Superlotação em emergências
O número crescente de pessoas com dengue no Rio tem agravado a superlotação nas principais emergências. O problema pôde ser constatado ontem no Hospital do Andaraí, durante vistoria do Sindicato dos Médicos e da Defensoria Pública da União.

"Pelo menos 70 crianças com sintomas da doença são atendidas diariamente lá. O hospital atendia em média 500 pacientes por dia. Devido à dengue, pelo menos 700 pessoas procuram tratamento no Andaraí todos os dias", afirmou o presidente do sindicato, Jorge Darze.

Durante a visita, foram apontados, ainda, problemas de infra-estrutura, entre eles a falta de 169 profissionais e de CTI infantil, além de poucos leitos na Pediatria. "Vimos pessoas internadas em cadeira ou poltronas. Também constatamos que faltam médicos 24 horas na Unidade de Pacientes Graves", afirmou.

Darze reconheceu que houve melhorias na unidade e elogiou o Centro de Tratamento de Queimados, referência no Estado. "Houve melhorias substanciais. Mas parte do hospital ainda precisa de investimentos".

Mãe agradece aos médicos
No primeiro dia em casa depois de passar 22 dias ao lado da pequena Ana Clara num hospital, Diana Silva, mãe do bebê, disse estar aliviada. Ana Clara nasceu dia 18, no Instituto Fernandes Figueira, e é o primeiro caso confirmado no estado de transmissão vertical de dengue - quando a doença é transmitida dentro do útero para o feto.

"Passei dias muito sofridos. Estou contente por estar em casa. E agradecida pelos médicos terem desconfiado que minha filha estava com dengue, apesar de recém-nascida", disse Diana.

Para auxiliar no diagnóstico de gestantes com a doença, a Secretaria Estadual de Saúde começa a distribuir segunda-feira cartilha com informações e recomendações técnicas aos médicos de todas as unidades do Estado.

"O material vai orientar o que o profissional deve fazer de acordo com o resultado dos exames clínicos", diz Marco Apolinário gerente da Saúde da Mulher.

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