Suspeita de mandar matar sogra reconstitui crime

12 de março de 2008 • 11h30 • atualizado às 12h07
Suspeitos de matar  a dona da casa Creuza de Lima Sassaki participam da reconstituição do crime Foto: Cícero Affonso/Especial para Terra
Suspeitos de matar a dona da casa Creuza de Lima Sassaki participam da reconstituição do crime
12 de março de 2008
Foto: Cícero Affonso/Especial para Terra

Cícero Affonso
Direto de Presidente Prudente

São Paulo


A Polícia Civil de Presidente Prudente (565 km a oeste de São Paulo), com o apoio da Polícia Científica e Instituto de Criminalística (IC), além da Polícia Militar, realizou na tarde da última terça-feira a reconstituição do crime de homicídio ocorrido no último dia 2, que vitimou a dona de casa Creuza de Lima Sassaki, 57 anos.

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O corpo da vítima foi encontrado três dias depois, já em estado de decomposição, escondido no porta-malas do Gol da vítima. O carro estava abandonado em uma praça da rua Donato Armelim, no Jardim Bongiovani, zona sul da cidade.

No mesmo dia, a Polícia Civil prendeu a suspeita de ser a mentora do crime, a vendedora Elaine dias Gomes, 22 anos, e o seu comparsa, o salgador de alimentos Mário Ricardo de Carvalho, 26 anos, ambos residentes em Pirapozinho (SP).

Na última terça-feira, os autores retornaram aos locais onde tiveram contato com a vítima e refizeram todo o trajeto, até culminar com o abandono do corpo na praça. Mário Ricardo colaborou com a polícia e relatou cada detalhe do ocorrido no dia do crime. Elaine, por sua vez, chegou a dizer que não faria a reconstituição na presença de jornalistas.

As autoridades que acompanharam a reprodução técnica do crime afirmaram que foi muito proveitosa. "Mostrou a veracidade dos depoimentos que já havíamos colhido dos envolvidos. Agora, vamos aguardar os resultados do laudo necroscópico e também dessa reprodução das cenas do crime e, depois da conclusão do inquérito, vamos remetê-lo ao 6º Distrito Policial que é o responsável pela área. A princípio, os fatos demonstram que Elaine planejou todo crime e manipulou o comparsa para que ele praticasse o ato. Fica muito claro que ela sempre exerceu fortes influências sobre ele", informou a delegada Sandra Tártari.

Conforme consta no Inquérito Policial coordenado pelas delegadas Sandra Cristina Tátari Fernandes e Daniela Roefero Marrey Sanches, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Elaine confirmou ter arquitetado todo o plano para dar um susto na mãe de seu namorado, pois Creuza era contra o relacionamento.

Para isso, contou com a ajuda de Mário Ricardo. "Nós apuramos através de testemunhas que a Elaine sempre manteve o Mário Ricardo sob suas ordens. Tudo o que ela queria, desde comprar um chiclete, buscar água, e tudo mais, ela o ordenava e ele sempre obedecia de maneira passiva", disse a Delegada Sandra.

Segundo a polícia, tudo leva a crer que Mário Ricardo mantém um forte amor platônico pela moça e que em decorrência disso é completamente manipulado. As testemunhas afirmam que o rapaz não tinha nenhum perfil de pessoa agressiva. "Ao contrário, sempre freqüentou a igreja, era até apelidado de 'padre' entre os colegas, mas sempre atendeu a todos os pedidos e ordens de Elaine que sempre foi muito esperta", disse um policial que conhece as duas pessoas.

Pela reconstituição, os dois se encontraram com a vítima na praça da igreja Nossa Senhora Aparecida na vila Marcondes, pois Elaine, grávida de um relacionamento que teve com André, (filho da vítima), havia convidado a futura sogra para ir a um chá de bebê, porém, como a vítima não gostava de dirigir na estrada, Elaine teria se prontificado a arrumar uma pessoa para dirigir o carro, que seria Mário Ricardo.

Os três teriam seguido até uma estrada de terra batida que fica na zona rural de Prudente, onde Elaine teria ordenado que parasse o carro, pois estava enjoada.

Assim que Elaine saiu do carro, Creuza também teria desembarcado para auxiliar a futura nora, momento em que houve uma rápida discussão entre as duas. Aproveitando-se da situação, Mário que já estava instruído por Elaine, teria usado um pano embebido em formol e agarrado Creuza pelas costas fazendo-a inalar o produto até cair atordoada. Em seguida, ele teria usado uma corda de nylon e estrangulado a vítima.

Depois, os dois teriam colocado Creuza no porta-malas do carro e levado até a praça onde foi encontrado com o corpo, três dias depois do crime.

Os acusados permanecem presos temporariamente e, com a conclusão do inquérito, serão presos preventivamente até que o julgamento seja marcado. Eles serão acusados por crime de homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel, sem oferecer chance de defesa à vítima, emboscada e ocultação de cadáver.

Redação Terra
 
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