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Fraude na Alerj causa prejuízo de R$ 3 mi aos cofres

12 de março de 2008 04h12

Dados do Conselho de Ética da Assembléia Legislativa (Alerj) e levantamentos feitos por O Dia mostram que o valor da fraude com auxílios-educação e desvio de salários de pessoas nomeadas sem saber ultrapassou a cifra de R$ 3 milhões. O número de benefícios falsificados chega a 550, e o de vítimas do golpe pode ser superior a 110. Esses cálculos são referentes a cinco dos sete parlamentares investigados e têm como base o valor do menor salário pago na Alerj atualmente: R$ 578. Os valores podem ser maiores, pois o corpo técnico que auxilia os trabalhos do Conselho de Ética ainda está analisando dados referentes aos sete deputados suspeitos.

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Ontem as 10 pessoas convocadas pelo conselho para depor não compareceram. Sete eram vítimas nomeadas para os gabinetes dos deputados Tucalo Dias (PSC) e Jane Cozzolino (PTC). Para o presidente do conselho, Paulo Melo (PMDB), elas podem ter sido intimidadas por aliciadores do esquema. "Se eles tentam intimidar até vocês, que são jornalistas, imaginem com essas pessoas humildes", disse Melo. Funcionários da Alerj foram ontem à casa das vítimas para entregar uma ordem de comparecimento nos depoimentos remarcados para hoje.

Os outros três faltosos foram os suspeitos de serem aliciadores Frederico Schroll Junior e Norival Coelho, lotados no gabinete da deputada Renata do Posto (PTB), e o professor Ubirajara Ferreira, o Bira. Eles foram reconvocados para depor hoje. Segunda-feira serão ouvidos os sete deputados acusados de envolvimento. Hoje o relator do processo no conselho, Edson Albertassi (PMDB), se reúne com o procurador de Justiça Marfan Martins Vieira para discutir os rumos das investigações.

Somente o gabinete da deputada Jane Cozzolino provocou, segundo informações do Conselho de Ética, desvios superiores a R$ 1,6 milhão. Nesse cálculo, está a soma dos auxílios-educação fraudados com o valor dos salários desviados.

Tucalo fez exonerações
O deputado João Peixoto (PSDC) teria sido o responsável pelo segundo maior desvio. Pelos cálculos do conselho, seu gabinete é responsável por rombo de R$ 685 mil entre benefícios e salários. Renata do Posto, com R$ 419.300, e Edino Fonseca (PR), com R$ 156.400, completam a lista.

Os números não incluem as sete nomeações fantasmas e os 34 auxílios fraudulentos requisitados pelo gabinete do deputado Tucalo Dias (PSC), pois o parlamentar exonerou as vítimas antes que elas completassem um mês na Alerj. Também não foram incluídos os números da fraude nos gabinetes de Álvaro Lins e de Délio Leal, ambos do PMDB.

Relator se reúne com Marfan
O relator do processo contra seis dos sete deputados acusados de participar das fraudes do auxílio-educação na Alerj, Edson Albertassi (PMDB), se reúne hoje com o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, para discutir os rumos das investigações. Albertassi vai se informar sobre as apurações feitas pelo Ministério Público (MP) e apresentar as primeiras conclusões do Conselho de Ética sobre o caso. Eles devem trocar documentos com provas sobre o funcionamento do esquema.

Albertassi já começou a preparar o relatório final sobre as fraudes. O documento será apresentado ao conselho dia 19. Ele admite que já há indícios para propor punições para alguns dos envolvidos. A expectativa na Alerj é de que o conselho deve propor cassação dos mandatos de quatro acusados: Renata do Posto (PTB), Jane Cozzolino (PTC), Tucalo Dias (PSC) e João Peixoto (PSDC). Para os outros três - Álvaro Lins (PMDB), Edino Fonseca (PR) e Délio Leal (PMDB) -, as punições seriam mais leves: advertência ou suspensão temporária dos mandatos. O relatório sobre Edino será feito por um sub-relator a ser definido hoje. Albertassi foi afastado das investigações sobre o deputado após O Dia mostra que uma filha de Edino trabalha como assessora no gabinete do relator.

Além do relatório, Albertassi também está preparando dossiê que será enviado ao MP pedindo investigações contra os demais envolvidos que não são parlamentares. Segundo ele, já há provas de quatro crimes cometidos pelos aliciadores das vítimas das fraudes: formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa e peculato. Falta definir quais crimes foram cometidos por cada um dos acusados.

Hoje o conselho decide se inclui no caso o deputado Marco Figueiredo (PSC), que também teria nomeado servidores fantasmas para fraudar o auxílio-educação.

Intimidação: motoqueiro persegue carro de O Dia
Em Mauá, distrito de Magé, o clima é de tensão e medo entre as vítimas do golpe e suas famílias. Ontem a equipe de O Dia flagrou a ação de um homem que, na presença dos repórteres, ameaçou uma das irmãs da dona-de-casa Alaíde da Silva Bezerra, nomeada sem saber no gabinete da deputada estadual Jane Cozzolino.

Alexandra Bezerra estava na casa da mãe, Maria da Conceição Silva Bezerra, 64 anos, acompanhando a entrevista quando foi chamada pelo homem que estava parado no portão dela. Ele chegou depois de seguir, de moto e sem capacete, o carro da equipe de O Dia.

Apavorada, Maria da Conceição desabafou: "Estou muito preocupada e com muito medo também. Minha vontade é ir embora e não voltar mais. Desde que começaram a falar nessa história, não pára de vir gente estranha aqui procurar minha filha", revelou a dona-de-casa, que afirmou estar sem notícias de Alaíde desde a noite de segunda-feira, quando a viu pela última vez.

Acompanhada por um sobrinho de Alaíde, a equipe de O Dia foi até a casa da dona-de-casa e encontrou Alexandra, que estava junto com o segurança, conversando com uma das quatro sobrinhas. Questionada sobre o paradeiro da mãe, a jovem disse que a avó havia "se enganado". "Minha mãe foi ontem para São Paulo ajudar a cuidar de uma tia nossa que está doente e não disse quando voltava", afirmou a filha de Alaíde, diante do motoqueiro desconhecido.

Minutos depois, o carro em que viajava a equipe de O Dia foi perseguido a mais de 100 km/h na saída do distrito por um Astra prata e três motos. Uma delas era pilotada pelo autor das ameaças à irmã de Alaíde.

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