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"É possível avançar nesse processo, mas é preciso um esclarecimento pleno dos fatos. Há um critério muito subjetivo para a avaliação de africanos e sul-americanos, sobretudo brasileiros, para a entrada na comunidade européia", afirmou o deputado.
Segundo Valente, o embaixador deve consultar ainda hoje o Ministério de Relações Exteriores da Espanha para confirmar se participará na quarta-feira da reunião da comissão da Câmara. O deputado ressaltou, entretanto, que Peidró não confirma os relatos de maus-tratos sofridos por brasileiros no Aeroporto Internacional de Madri-Barajas.
"Não é fácil para o embaixador admitir maus-tratos. Ele diz que a polícia espanhola não praticou maus-tratos. É evidente que há preconceito e, por isso, reforçamos o convite ao embaixador. Se não há nada a temer, entendo que a embaixada pode dar uma contribuição para distensionar o ambiente e para que se volte à normalidade de relações nesse campo", afirmou o deputado.
Ivan Valente defende que a comissão investigue as "divergências" nas posições assumidas pelo governo brasileiro e pelo governo espanhol. "Nós somos sul-americanos e brasileiros e o pensamento do centro nem sempre é o pensamento da periferia capitalista. O preconceito não é contra os europeus. Geralmente, é com aqueles que procuram um emprego lá e até com pessoas que estão estudando lá. É fundamental que se esclareçam os fatos para evitar o preconceito, o autoritarismo, e uma ação alfandegária que, sem dúvida, humilha as pessoas", disse.
"Dizem eles que as pessoas barradas têm um motivo para ser barradas. Amanhã, vamos pegar o depoimento de brasileiros que foram barrados e repatriados e vamos fazer a contraprova dessa questão", afirmou o parlamentar, que aponta contradições entre os depoimentos. "Eles defenderam uma ação real da polícia espanhola e dizem que há irregularidades e, ao mesmo tempo, nossas pessoas barradas fizeram denúncias graves de maus-tratos, de preconceito e de análise subjetiva da entrada na Espanha".
Agência Brasil