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Os últimos detalhes da investida federal às comunidades foram definidos ontem pelo general Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. À paisana, Félix passou cerca de duas horas comandando os trabalhos no Largo do Itararé, localidade do Complexo do Alemão que receberá Lula esta manhã.
A paz que Lula terá, graças às forças de segurança, é o grande sonho dos moradores. Ontem, vários barracos, Kombis, vans e motos circulavam com bandeiras brancas, num claro recado antibelicista. "A receptividade dos moradores tem sido boa", disse Felix. "Eu tinha uma imagem do Alemão. Agora, tenho outra", afirmou.
Considerado quartel-general do Comando Vermelho, o complexo não demonstrava de ter recebido, ainda ontem, reforço no policiamento. Como acontece desde maio, quatro agentes da Força Nacional vigiavam cada acesso da comunidade. Nos mais delicados - um deles a menos de 1 km de onde deve ficar Lula - os soldados da tropa federal ergueram barricadas. O clima era de paz.
O esquema de segurança de Lula é guardado a sete chaves mas, segundo o vice-governador Luiz Fernando Pezão, a presença dos militares não impedirá que o presidente converse com moradores.
O efetivo mobilizado pela vinda de Lula é exatamente o mesmo que falta para garantir o patrulhamento durante as obras Plano de Aceleração do Crescimento. A Secretaria Nacional de Segurança Pública comprometeu-se a mandar mais 1,2 mil agentes da Força Nacional ao Rio. Os policiais, porém, ainda estão sendo convocados.
"Seria irresponsável dar um prazo para que todos cheguem aqui", afirmou o secretário nacional interino de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. "Depois dos Jogos Pan-Americanos, os Estados chamaram de volta seus policiais que serviam no Rio. Só agora estamos revertendo este processo de esgotamento da tropa."
Verba não chegou
Atendendo a um pedido do Estado, a União reservou R$ 55 milhões para serem gastos com armas e munição. A verba, no entanto, está tão distante do Rio quanto o reforço dos agentes. Como o orçamento federal ainda não foi votado, a quantia só poderá ser liberada por medida provisória editada pelo presidente. Lula não descarta atropelar a lentidão do Congresso, caso o orçamento não seja aprovado pelo Legislativo na semana que vem.
Balestreri deposita suas esperanças na Polícia Militar do Distrito Federal. A corporação ofereceu 250 soldados para a missão do PAC no Rio. O secretário quer o dobro. "A crise de efetivo é um drama sério. Quase todas as polícias do País têm um efetivo menor do que o necessário. E ainda temos de atender pedidos pela contribuição da Força feito por outros Estados."
Violência "pequena" A voz dissonante entre os preocupados com o policiamento é do vice-governador Pezão. Em entrevista coletiva, ele considerou a violência das favelas cariocas "até pequena", considerando o abandono imposto nas últimas décadas a estas regiões: "Segurança não será problema. A população apóia as obras e vai deixar de viver em guetos."
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