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MR-8 e brasileiro negociaram petróleo de Saddam

27 de janeiro de 2004 11h40 atualizado às 11h58

O movimento político de esquerda brasileiro MR-8 e o agente de viagens brasileiro Fouad Sarhan aparecem em uma lista de 200 "personalidades" que teriam recebido petróleo do governo de Saddam Hussein publicada no domingo pelo jornal iraquiano Al-Mada. O MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) aparece junto do nome "Chaves".

Nelson Chaves, secretário de Relações Internacionais do MR-8, afirmou à BBC Brasil que o MR-8 negociava petróleo em nome do governo iraquiano, mas negou que o movimento teria recebido qualquer benefício financeiro.

Chaves disse que recebia uma determinada quantidade de petróleo para revender a empresas de petróleo e governos de países com os quais ele tinha contato.

Fouad
"Recebi a responsabilidade de apresentar compradores para o governo iraquiano", afirmou. Segundo ele, o MR-8 apenas "dava solidariedade e recebia solidariedade do governo de Saddam Hussein".

Outro nome da lista, Fouad Sarhan admitiu à BBC Brasil que vendia petróleo iraquiano, sob o programa Petróleo por Comida da ONU, e ganhava "comissão dos compradores, uns 10 centavos de dólar por barril".

"Boas relações"
Segundo o Al-Mada, o MR-8 teria recebido 4 milhões e meio de barris de petróleo. Mas Chaves disse que a quantidade de petróleo que ele ajudou o Iraque a colocar no mercado teria sido um pouco menor.

Todas as operações, segundo Chaves, aconteceram nos anos 90 e estavam dentro do programa Petróleo por Comida, criado pela ONU em 1996 para minimizar os efeitos das sanções impostas depois da invasão do Kuwait pelo Iraque, em 1990.

O contato de Chaves no Iraque era o ex-vice-primeiro-ministro, Tariq Aziz. Ele não quis revelar os nomes de países ou empresas, mas disse que não eram países da América Latina. "Foi mais com países do Oriente Médio."

Chaves disse que o MR-8 - hoje uma corrente do PMDB - sempre teve boas relações com Saddam Hussein e foi contrário às sanções impostas pela ONU. "Lamento que o governo brasileiro não tenha ajudado também", afirmou.

O secretário do MR-8 disse que "conhecia muito bem" Fouad Sarham, o outro brasileiro citado na lista divulgada pelo jornal iraquiano. "Estive com ele no Iraque", contou.

O secretário-geral do MR-8, Claudio Campos, - que inicialmente tentou negar qualquer relação com a venda de petróleo - disse que o movimento sempre apoiou e teve boas relações com Saddam Hussein.

Questionado se atualmente tem interlocução com a resistência, Campos disse que 'hoje em dia é difícil'. "Mas nós apoiamos a resistência, que faz ações que são noticiadas, inclusive pela BBC", disse, referindo-se aos ataques que acontecem freqüentemente no país.

Interpol
O subsecretário do Ministério do Petróleo do Iraque, Abdel Saheb Salmane Qotob, disse à agência de notícias AFP que, entre as personalidades cujos nomes não foram revelados, há pelo menos dois primeiros-ministros e dois chanceleres.

"O Ministério do Petróleo prepara uma ação judicial, com a ajuda da Interpol, para recuperar o dinheiro perdido com os milhões de barris presenteados", disse Qotob.

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