Dale Robbin Hersh, 52 anos, faz gesto obsceno enquanto posa para identificação
Foto: Divulgação
Dale passou a madrugada de hoje na sala VIP da companhia aérea no Aeroporto Internacional de Guarulhos (Cumbica), após prestar depoimento à Justiça Federal, e só deve sair de lá para pegar o vôo que o levará de novo para os EUA. O horário previsto é 23h30.
O passaporte do piloto, que estava retido, foi liberado logo que foi realizado o pagamento. A companhia havia entregue ontem um cheque de R$ 36 mil, mas como seria preciso esperar a compensação dele, a American Airlines decidiu trocar o cheque por dinheiro. De acordo com a Polícia Federal, a companhia fez contato hoje para pagar o valor da multa em dinheiro para liberar o piloto mais cedo.
O dinheiro da multa será revertido para um asilo de Guarulhos. A polícia confirma que ele tem vôo marcado para Miami hoje, às 23h30.
Repercussão internacional
Algums jornais norte-americanos destacaram hoje a prisão do piloto da American Airlines. O The New York Times destaca o caso na capa do caderno World (Mundo). Na reportagem do correspondente no Rio de Janeiro, Larry Rother, o jornal diz que o episódio acentua ainda mais as tensões entre Brasil e Estados Unidos. O Washington Post apenas reproduziu um texto de uma agência de notícias, sem muito destaque na edição.
O piloto foi autuado no posto da Polícia Federal no aeroporto por desacato a autoridade depois de ter debochado do sistema de identificação de estrangeiros do Brasil. Depois de chegar em um avião vindo de Miami, Hersh fez um gesto obsceno ao ser fotografado por um agente da Polícia Federal no desembarque. Acabou detido e, depois de algumas horas, enviado à Justiça Federal na cidade.
Onze tripulantes do avião riram da brincadeira do comandante e foram impedidos de entrar no país. Eles voltaram ontem à noite para Miami após passar cerca de 12 horas na sala VIP da American Airlines. Todos viajaram como passageiros e, como não foram deportados, poderão voltar ao país em outra ocasião.
Piloto vaiado e pedido de desculpa
Depois de passar cerca de seis horas detido, enquanto a Polícia Federal decidia sobre se o autuaria ou não, Robbin Hersh deixou o aeroporto à tarde em um carro da Polícia Federal para ser levado ao prédio da Justiça Federal, no centro de Guarulhos. Na saída, sem algemas, foi vaiado e hostilizado por cerca de 60 passageiros de outros vôos. Quase ao mesmo tempo a Polícia Federal divulgava a sua foto, fazendo o gesto obsceno. À noite, o procurador Mateus Beraldi anunciou a aplicação da multa.
De acordo com o delegado da PF, Valter Castilho, Hersh tentou negociar com a polícia ao saber que poderia ser preso. O norte-americano pediu desculpas e disse que não tinha a intenção de agredir alguém, mostrando-se arrependido.
As negociações sobre o que fazer com o norte-americano tiveram a participação do Consulado norte-americano em São Paulo. Já o Itamaraty disse não considerar o incidente como diplomático, mas "burocrático".
Nota da American Airlines
A direção American Airlines nos Estados Unidos se manifestou sobre o assunto e pediu desculpas ao governo brasileiro e às autoridades da PF. A empresa garantiu que tudo não passou de um mal-entendido e que orienta seus funcionários a obedecer às regras dos países onde chegam.
- Redação Terra

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