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Sábado, 23 de fevereiro de 2008, 16h49 Atualizada às 17h14

Passaporte mais barato causa filas em Campinas

Pessoas interessadas em requerer passaporte em Campinas têm enfrentado filas que começam a se formar nas primeiras horas da madrugada em frente à Delegacia da Policia Federal, na rua Bernardo José de Sampaio, no bairro Botafogo. Agentes da Policia Federal dizem que o aumento da demanda na cidade está relacionado com a vinda de pessoas de outros muncípios. Esse aumento é devido à rapidez no tempo de confecção do documento e também no preço da taxa cobrada pelo modelo antigo, que é mais barato que o modelo novo, adotado na capital.

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Segundo o agente do setor de passaporte, Paulo Henrique, a unidade ainda usa o modelo de cor verde, cuja taxa é de R$ 89,71. O prazo para ficar pronto é de 10 dias corridos. A unidade distribui 150 senhas por dia. O atendimento é das 8h às 11h. Já nas unidades da capital de São Paulo e litoral sul, por exemplo, a Policia Federal já dispõe do novo modelo, de cor azul, sendo que o pedido é agendado pelo site. A taxa é de R$ 156 e a emissão demora dois meses.

Henrique conta que, neste começo de ano, a média mensal de emissão do documento chega a 4 mil unidades, volume superior ao registrado em 2006 quando o movimento era de 3 mil. "Além das 150 senhas, a delegacia também atende situações diferenciadas como os maiores de 60 anos, mulheres grávidas, motivo de morte, entre outras questões de urgência que geram entre 180 a 200 atendimento de passaportes diários", diz.

O funcionário esclarece que o departamento está em obras e deve receber em breve os equipamentos que irão permitir a emissão do modelo novo. Ainda não há uma data prevista para a conclusão. Pelo novo sistema, ele diz que " não haverá filas; o usuário terá um horário especifico para vir a delegacia".

Aluguel de banco
Um homem com aparência de 50 anos "aluga" bancos para as pessoas se acomodarem na fila e cobra R$ 1,00. Em dias nublados ele dispõe também de guarda-chuva. Ele preferiu não divulgar o nome e pediu para não ser fotografado. Disse que trocou o "ponto" do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), no centro, para vir a Policia Federal onde há mais movimento. "Eu procuro dar algum conforto a todos", comentou enquanto recolhia os assentos de plástico.

Rapazes vestindo coletes com a inscrição "segurança" cobram R$ 1,00 para "olharem" os carros estacionados na rua. Informados, passam instruções e indicam os procedimentos para o requerimento do passaporte.

Primeiro da fila
O professor de capoeira Odelmo Francisco da Silva, 20 anos, era o primeiro na fila nesta terça feira em Campinas. Ele chegou ao local às 3h30. O professor conta que tem urgência pelo documento já que começa a trabalhar na Bélgica no começo de março. "Me avisaram que era preciso chegar cedo então me adiantei", disse.

O médico Jeferson Menezes Camargo e sua mulher, Maria Cecilia, vão viajar para a Europa no final do ano. "Mas é preciso apresentar o número do passaporte para pegar as passagens", falou ela. O casal explica que prefere não deixar para agilizar os documentos na última hora e assim evitar aborrecimentos.

"O Brasil dá privilegios para os estrangeiros e não dá prioridade aos brasileiros", protestou a advogada Ana Paula Brusco, 29 anos, que estava acompanhada do pai e da mãe. A familia planeja uma viagem ainda neste semestre para a Europa. Eles chegaram às 5h na fila e encontraram dez pessoas na frente. "Um estrangeiro não precisa esperar assim na fila, na rua, tanto para sair como para chegar ao País. É um desrespeito".

O operador de loja Adriano Ferreira Matos, 29 anos, saiu da zona leste em São Paulo e chegou a Campinas de madrugada para requerer o passaporte. Estava acompanhado de um casal de amigos. Todos chegaram por volta das 5h.

Matos fala que na capital paulista o documento ficaria pronto em maio e seria impossível embarcar para a Europa. O grupo pretende participar de um congresso de panificação que acontece entre 28 de março a 2 de abril. "O objetivo da viagem é de estudo ", completa.

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Rose Mary de Souza/Especial para Terra Jeferson Camargo e sua esposa Maria Cecilia precisam do passaporte para retirar as passagens Jeferson Camargo e sua esposa Maria Cecilia precisam do passaporte para retirar as passagens

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