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 Rio: milícias tentam recrutar futuros policiais
20 de fevereiro de 2008 08h32 atualizado às 08h38

Enquanto traficantes ainda recrutam jovens das próprias favelas para o mundo do crime, milícias formadas por policiais civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários buscam mão-de-obra qualificada dentro da estrutura do governo do Estado do Rio de Janeiro. Investigações do Serviço de Inteligência da Secretaria de Segurança constataram que pelo menos cinco alunos da Academia de Polícia (Acadepol) foram assediados por milicianos antes mesmo da efetivação como profissional, nos últimos 3 meses.

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Os futuros agentes foram procurados por integrantes de milícias da zona oeste da capital fluminense, região onde esses grupos criminosos tem crescido mais rapidamente. Fontes do Serviço de Inteligência revelaram que os alunos da Acadepol chegaram a receber oferta de R$ 1,5 mil por quinzena, mas não aceitaram o convite para trabalhar como seguranças de favelas dominadas pelas milícias. O salário deles como policial civil deve girar em torno de R$ 1,2 mil.

As milícias geralmente expulsam traficantes de comunidades carentes e passam a cobrar uma taxa pela segurança. Além disso, oferecem serviços de TV a cabo pirata e atuam no transporte alternativo, entre outras atividades. A maior preocupação dos grupos é com o patrulhamento das áreas para impedir o retorno dos bandidos que foram colocados para fora.

Segundo o diretor do Sindicato dos Policiais Civis, Mário Piccolo, os milicianos se interessam pelos alunos da Acadepol que aguardam nomeação porque sabem que eles já têm pleno conhecimento de armas como Fuzil M-16, Submetralhadora 9 mm e Espingarda calibre 12, assim como pistolas 380 e 940.

"Em uma das nossas investigações (da Polícia Civil), o que foi confirmado por fontes ligadas ao sindicato, apurou-se que alguns alunos de fato foram aliciados por milicianos por conta da sua experiência adquirida, seja no tiro, manutenção de armamento, estágio na burocracia legal das delegacias", destacou Piccolo.

O dirigente sindical informou também que 230 aprovados em concurso, há 2 anos, estão formados pela Academia de Polícia, mas ainda não foram contratados por causa de burocracia jurídica. "Nós tememos que a Polícia Civil tenha preparado um corpo de excelentes policiais, um efetivo testado e aprovado, que vai possivelmente ser aproveitado por outro tipo de força", lamentou.

Redação Terra