Famílias de presos criam boatos de ataques do PCC

16 de fevereiro de 2008 • 21h15 • atualizado às 21h15

Cláudio Dias
Direto de Araraquara

São Paulo


Familiares de presos que cumprem pena em várias penitenciárias paulistas passaram a madrugada e o inicio da manhã deste sábado espalhando notícias desencontradas de supostos ataques ocorridos sob encomenda da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Três boatos sem qualquer tipo de detalhes correram as portas de alguns presídios justamente no primeiro dia do fim do prazo dado pelos detentos ao Estado.

» Possível ataque deixa polícia em alerta
» Confira na íntegra a carta
» PCC faz agentes mudarem rotina
» Famílias são orientadas a adiar visitas

Ontem foi o último dia do prazo dado pelos presos à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), por meio de uma carta batizada de "Salve Geral" pedindo fim do isolamento nas Penitenciárias I e II de Presidente Venceslau e Avaré. Na carta, os detentos afirmavam que queriam da Secretaria uma posição referente às unidades de Venceslau e Avaré.

Mulheres que aguardavam a entrada em frente a Penitenciária Regional de Araraquara debateram durante a noite que dois ataques teriam ocorrido em São Paulo e um terceiro em São Vicente, no litoral sul. Nada disso aconteceu. Mas os boatos foram aumentando e gerando inquietação nas visitas. Com a notícia desmentida, mães, mulheres e filhos entraram na Penitenciária.

Na saída, os parentes disseram que o clima estava tranqüilo dentro da prisão em Araraquara. Em Itirapina e Ribeirão Preto, por exemplo, não houve mudanças na rotina.

Desde a divulgação da carta, a SAP se propôs a responder que "não comenta assuntos relacionados à segurança das unidades". Mas, nos bastidores do sistema prisional, a notícia é que a pasta comandada por Antônio Ferreira Pinto ficou preocupada com o tal prazo. Durante toda a semana, diretores de presídios fizeram reuniões regionalizadas em cada uma das suas respectivas coordenadorias para colher informações e preparar uma ação de prevenção.

Segundo agentes penitenciários ligados ao sindicato da categoria, o discurso geral entre os diretores é que não haveria motivo para pânico, porém, o alerta continua. Apontados como o principal alvo da facção, os agentes penitenciários continuam receosos com a data final da carta.

Na polícia, o tema é tratado com cautela. Ninguém dá entrevista sobre o tema ou confirma qualquer noticia. No entanto, nos corredores das delegacias e nas rodinhas de policiais militares o aviso é que uma comunicação interna foi enviada avisando a todos do risco neste final de semana.

Entre os oito itens relacionados na carta, os detentos pediam a transferência de todos que se encontram a mais de um ano no regime disciplinar diferenciado, pedem banho de sol diário, escola, trabalho e que acabem os castigos nessas unidades selecionadas.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »