Cláudio Dias
Direto de Araraquara
São Paulo
"Houve o pedido de alguns diretores aos funcionários para não darem bobeira e evitar ficar exposto em alguns lugares enquanto o clima estiver mais tenso", diz o coordenador regional do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), Oliver José Pavan. Ele admite que alguns colegas estão mais apreensivos com a possibilidade de uma nova rebelião em massa.
Para Pavan, que representa uma boa parcela dos agentes penitenciários e de muralha das penitenciárias paulistas, sem dúvida, após a divulgação da carta, aumentou bastante a insegurança entre os funcionários. Alguns agentes, inclusive, foram conversar com os presos nos presídios de Araraquara e Ribeirão Preto. A resposta foi direta: eles estão esperando uma resposta do Estado.
"Em Ribeirão o pessoal que antes liberava três presos de uma vez para ir à enfermaria, agora, leva um por vez, temendo que eles reajam e iniciem um motim. Essa é a recomendação", destaca o sindicalista, que prefere não opinar sobre a mudança de hábitos pessoais dos colegas fora das casas penais. "Eu estou mantendo a minha vida, mas tem colegas que não estão andando com farda", admite um agente de Araraquara.
O secretário da Administração Penitenciária, Antônio Ferreira Pinto, através da sua assessoria de imprensa, não quis falar sobre o clima entre os funcionários e disse "que não comenta assuntos internos dos presídios por motivo de segurança".
Fora das prisões
O coordenador regional do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), Oliver José Pavan, disse que integrantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que cumprem pena no sistema carcerário paulista irão perder muito se resolverem partir para o confronto com os agentes e os policiais. "Se mexer conosco fora das prisões é pior, porque eles irão encontrar muita barreira", avisa.
O recado vem ao encontro do suposto plano dos integrantes de seqüestrarem agentes. Coincidência ou não, no dia 1º de fevereiro, policiais militares apreenderam fuzis, capuzes e roupas pretas semelhantes às da Polícia Civil com seis pessoas em Presidente Prudente e Presidente Epitácio, municípios próximos a Presidente Venceslau.
A hipótese é que o material seria usado no seqüestro e, depois, no resgate de detentos da cúpula do PCC. Nas ruas de Araraquara e Ribeirão Preto, por exemplo, a notícia correu e foi o tema na visita das famílias neste sábado. Algumas mulheres confirmaram a ordem dos seqüestros. Na opinião do representante do Sindicato dos Agentes, o PCC não deve partir para o confronto porque, segundo ele, deixaria o sistema ainda mais rígido e manteria as lideranças por mais tempo isoladas.
Além disso, o sindicalista aponta que algumas cadeias reformadas ficaram mais seguras, após as rebeliões de 2006. Como é o caso da unidade de Araraquara que foi readequada em um investimento de R$ 16,1 milhões. Outros agentes do interior de São Paulo admitiram estar tensos com a chegada do dia 15 de fevereiro: data final estipulada pelos presos para o Estado responder oito pedidos, entre elas, a retirada de detentos de Presidente Venceslau e Avaré.
Eles temem justamente um retorno dos ataques e rebeliões de 2006. Na ocasião, entre os dias 12 e 19 de maio, foram quase 300 ações, além da onda de motins que atingiu 82 unidades. Uma segunda série de ataques ocorreu entre os dias 11 e 14 de julho. Desta vez, os alvos foram ônibus e comércios. A terceira mostra de força do crime foi entre os dias 7 e 9 de agosto, com o uso de bombas em prédios públicos.
Redação Terra