Da BBC Brasil
São Paulo
Em apenas outros cinco países dos 34 mais de 50% achou que a globalização está ocorrendo devagar. E em 22 países pelo menos 50% disseram que ela está indo em uma velocidade indesejável.
A maioria dos brasileiros entrevistados (69%) também afirmou acreditar que os benefícios econômicos dos últimos anos foram distribuídos de forma injusta. Nessa pergunta, a respostas dos brasileiros acompanharam a tendência da maior parte dos países, onde os entrevistados também têm uma percepção de injustiça na distribuição de benefícios econômicos.
Preocupação
No caso da velocidade da globalização, a pesquisa perguntou aos entrevistados se o processo está ocorrendo "rápido demais", "um pouco rápido demais", "um pouco lento demais" ou "lento demais".
No caso brasileiro, onde foram entrevistadas 800 pessoas em zonas urbanas, 30% disseram que ela está ocorrendo muito lentamente, e outros 21% disseram que ela está ocorrendo de forma um pouco lenta demais. Para 10%, a globalização está ocorrendo "muito rapidamente", e para 26% ela está indo "um pouco rápido demais". O restante dos entrevistados não soube responder.
"As pessoas em alguns países em desenvolvimento querem acelerar a globalização e parecem acreditar que isso vai ajudar a resolver o problema da desigualdade em seu país", acredita Steven Kull, do Programa Internacional de Atitudes sobre Política, da Universidade de Maryland, e co-autor do trabalho.
Os países onde a maioria das pessoas acredita que a globalização está ocorrendo lentamente, além do Brasil, são as Filipinas, a Indonésia, a Turquia, o Quênia e o México.
Preocupação
Os entrevistados se mostraram mais preocupados com a velocidade da globalização nos países ricos. Na maioria dos países europeus pesquisados, mais de 50% acham que a globalização está ocorrendo de forma excessivamente rápida.
A mesma opinião é compartilhada por pessoas em países como Canadá, Estados Unidos, Austrália, China e Índia.
As opiniões globais se mostram menos divididas em relação a quão injustamente os benefícios econômicos são distribuídos. Em 27 dos 34 países, a maioria acredita que a distribuição é injusta em algum grau. A média dessa opinião nesses países foi de 64%. Entre algumas exceções nesse ponto estão o Canadá, a Austrália, os Emirados Árabes Unidos e a China.
Em pesquisas conduzidas apenas em áreas urbanas, a maioria dos chineses (58%) afirma que o crescimento econômico foi distribuído de maneira "muito justa" ou "razoavelmente justa", apesar de economistas alertarem para o aumento das diferenças econômicas entre as áreas urbanas e rurais. Ao todo, 84% dos chineses entrevistados afirmaram que as condições econômicas do país melhoraram, mas 72% acreditam que o ritmo da globalização é muito rápido.Desconforto
A pesquisa, que foi conduzida antes das recentes quedas nos mercados mundiais, também perguntou sobre as mudanças na economia local e global. Os resultados mostram uma percepção negativa sobre as mudanças econômicas em vários países, especialmente entre os mais ricos. Apenas 4% dos americanos, por exemplo, disseram que as condições econômicas estão muito melhores e 22% afirmam que a ela está um pouco melhor. Mas 74% disseram que a economia piorou.
Na França, Itália e Japão o resultado também foi pessimista, com apenas 22% dos franceses entrevistados e 33% dos japoneses afirmando que as condições estariam muito melhores ou um pouco melhores.
Em contraste, foi registrado otimismo em países como China, Rússia, Canadá, Austrália e Emirados Árabes Unidos. "Há uma preocupação pública real sobre a direção da economia, mas não é apenas com uma possível queda. Ela tem a ver com o quão justamente são distribuídos os benefícios e custos, e com o ritmo da globalização", disse Doug Miller, diretor da Globescan.O trabalho de pesquisa foi feito pela empresa Globescan, em parceria com a Universidade de Maryland e várias empresas de pesquisa nos países abordados.
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