"Foi Silvinho Pereira (ex-secretário geral do PT) quem me disse que José Dirceu estava ciente de tudo o que acontecia", disse Valério |
Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte
São Paulo
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"Foi Sivinho Pereira (ex-secretário geral do PT) quem me disse que José Dirceu estava ciente de tudo o que acontecia", disse Valério. No entanto, Valério disse desconhecer que os valores (em torno de R$ 55 mi), tomados de empréstimos via agências SMP&B e DNA, tivessem sido utilizados para pagamento de mesada a parlamentares. "O Delúbio só me informava que esse dinheiro serviria para o financiamento das campanhas eleitorais", alegou.
O nome do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, foi citado várias vezes no depoimento como o orientador dos empréstimos realizados pelas agências de publicidade aos partidos que pertenciam à base do governo. Segundo Valério, Delúbio havia lhe dito que toda a cúpula do partido sabia desses empréstimos. Mas o empresário não especificou quais seriam as pessoas que compunham a cúpula.
O advogado que defende José Dirceu acompanha o depoimento e disse que as palavras de Valério não confirmam que o ex-ministro da Casa Civil tinha conhecimento do suposto esquema. "Quando ele (Valério" se refere à cúpula, fica clara a distinção entre governo e partido. Nessa época Dirceu era ministro, portanto representava o governo. Valério em hora nenhuma disse que o governo estava ciente desses empréstimos", defendeu o advogado Rodrigo Dall'Acqua.
Quando o juiz Alexandre Buck Medrado leu um dos laudos que compõe o processo contra o empresário, o qual diz que cerca de 80 mil notas fiscais frias foram registradas pela SMP&B por serviços não executados a órgãos e empresas públicas, como a Eletronorte e o Ministério dos Transportes, o empresário negou que essas informações fossem verdadeiras.
"Todo dinheiro emprestado foi obtido em organizações privadas, esse laudo não corresponde à verdadeira versão dos fatos", disse. Para Valério, a intermediação entre instituições financeiras e os partidos políticos não constituiria um crime. O juiz chegou a questionar o interesse das empresas de publicidade nessa negociação, mas o empresário respondeu dizendo que se tratavam de negócios. "O PT estava disposto a fazer grandes campanhas eleitorais naquela época e era do interesse das agências o mercado eleitoral. Por isso negociávamos esses empréstimos junto aos bancos e repassávamos ao partido", relatou.
Redação Terra