Ministra assume erro, mas diz que não se arrepende

01 de fevereiro de 2008 • 15h58 • atualizado às 17h56

Jeferson Ribeiro
Direto de Brasília

Brasília


Após deixar o cargo nesta sexta-feira, a ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, admitiu o erro no uso do cartão de crédito corporativo do governo, mas disse que não sente arrependimento porque foi orientada a pagar hospedagens, alimentação e aluguel de veículos dessa forma por sua assessoria. "Não estou arrependida. Usei o cartão para cumprir a agenda de trabalho que tenho", afirmou a ministra, se referindo aos gastos como um "erro administrativo".

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"Solicito meu desligamento deste governo, colocando-o à disposição para as tratativas que se fizerem necessárias", disse Matilde. "Assumo erro administrativo no uso do cartão corporativo. Em julho de 2006, fui orientada pela minha assessoria a utilizar o cartão de pagamento do governo federal concentrado em três modalidades: hospedagem, alimentação e locação de veículo."

Matilde disse ainda que manteve uma conversa madura com o presidente Lula. "Conversamos muito sobre a importância da política de igualdade racial e também sobre as adequações a serem feitas no trabalho. Fui até lá com o propósito de pedir o desligamento."

A ex-ministra afirmou que, antes de pedir demissão, exonerou dois servidores que a orientaram em relação ao uso do cartão. "Antes de falar com presidente tomei a decisão de exoneração de duas pessoas envolvidas no caso. Esse erro não foi cometido exclusivamente por mim", disse ela durante a entrevista coletiva. Mais tarde, os dois foram identificados como Carlos Eduardo Trindade Santos e Antônio da Silva Pinto.

Matilde ressaltou ainda que teve uma "vida pessoal pautada pela honestidade e pelo investimento em ações políticas coletivas".

A situação política da ministra havia piorado quando ela tentou explicar os gastos para os ministros da Comunicação Social, Franklin Martins, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro das Relações Institucionais, José Múcio. Os colegas viram que ela dificilmente teria como se defender dos ataques políticos que surgiriam no Congresso. No ano passado, ela gastou mais de R$ 171 mil com o cartão corporativo.

Free shop
Matilde, que gastou mais de R$ 171 mil com o cartão governamental em 2007, já havia admitido que fez pelo menos uma compra pessoal em agosto do ano passado num free shop com o cartão governamental no valor de R$ 461,16. Ela explicou ainda que só devolveu o dinheiro gasto meses depois do engano porque a devolução passa por um processo administrativo e burocrático.

"O uso do cartão no free shop ocorreu no dia 10 de outubro após a volta de viagem oficial. Foi um engano e fui notificada desse engano, porque tem processo administrativo e burocrático, em dezembro. E a devolução foi feita no retorno do recesso, em janeiro", ressaltou.

Racismo
Ao ser questionada se sua saída do governo foi precipitada por conta do preconceito racial, a ministra disse que "nós vivemos no mesmo Brasil e ele ainda enfrenta o preconceito e o racismo. E isso é percebido cotidianamente".

Ao responder uma pergunta sobre o racismo, ela fez referência a outro trecho da carta entregue a Lula. "Como eu disse na carta, é extremamente importante que o Brasil reconheça a necessidade de pagamento da dívida histórica que tem para com os negros e negras, praticamente 50% da população", afirmou.

Redação Terra
 
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