Keila Dias
Direto de Brasília
Brasil
» Cartões do governo pagam restaurantes
» Gasto com cartão cresce 129%
"O governo tem sido resistente em não permitir a quebra da caixa-preta desses cartões, provavelmente com medo de se apresentar um grande escândalo", alerta Dias. O senador denuncia que alguns comprovantes de gastos entregues ao Tribunal de Contas da União eram ilegais.
"O que é curioso é que nós identificamos aqui algumas notas fiscais usadas para calçar despesas da secretaria da presidência da república eram frias. Nós fomos investigar e chegamos a uma empresa de fachada que fornecia as notas. O proprietário da empresa nem sabia que era dono, era um chapista que trabalhava num bar da estação rodoviária de Brasília, veja a que ponto nós chegamos", disse Dias.
O senador afirma que se o governo não responder ao questionamento do Senado, a Advocacia Geral da Casa pode acionar o Executivo judicialmente por crime de responsabilidade. "Com a recusa do governo em ser transparente, que o Senado tome as providências legais cabíveis, já que a Constituição nos assegura o direito de pedir informações ao governo", explica. "Se o governo não nos permite conhecer todas as informações, nós temos o direito de admitir como verdadeiras estas informações de gastos com cirurgia plástica, compras de perfumes em freeshop, gastos com veterinários", diz.
O senador não quer a extinção dos cartões corporativos, mas cobra transparência. "Dinheiro público tem que ser usado com correção e transparência", afirma.
Os cartões corporativos foram criados em 1998, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para facilitar pagamentos de rotina das autoridades, como combustíveis, pequenos consertos e diárias de hotel em viagens de trabalho.
Redação Terra