Oposição quer informação do governo sobre cartões

23 de janeiro de 2008 • 16h14 • atualizado às 17h11

Keila Dias
Direto de Brasília

Brasil


O Senado pode cobrar da Presidência da República explicações sobre o uso dos cartões de crédito corporativos. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), segundo-vice presidente da Mesa Diretora, vai renovar em fevereiro o requerimento que solicita os comprovantes de gastos dos cartões usados pelos assessores diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ministros e secretários do governo.

» Cartões do governo pagam restaurantes
» Gasto com cartão cresce 129%

"O governo tem sido resistente em não permitir a quebra da caixa-preta desses cartões, provavelmente com medo de se apresentar um grande escândalo", alerta Dias. O senador denuncia que alguns comprovantes de gastos entregues ao Tribunal de Contas da União eram ilegais.

"O que é curioso é que nós identificamos aqui algumas notas fiscais usadas para calçar despesas da secretaria da presidência da república eram frias. Nós fomos investigar e chegamos a uma empresa de fachada que fornecia as notas. O proprietário da empresa nem sabia que era dono, era um chapista que trabalhava num bar da estação rodoviária de Brasília, veja a que ponto nós chegamos", disse Dias.

O senador afirma que se o governo não responder ao questionamento do Senado, a Advocacia Geral da Casa pode acionar o Executivo judicialmente por crime de responsabilidade. "Com a recusa do governo em ser transparente, que o Senado tome as providências legais cabíveis, já que a Constituição nos assegura o direito de pedir informações ao governo", explica. "Se o governo não nos permite conhecer todas as informações, nós temos o direito de admitir como verdadeiras estas informações de gastos com cirurgia plástica, compras de perfumes em freeshop, gastos com veterinários", diz.

O senador não quer a extinção dos cartões corporativos, mas cobra transparência. "Dinheiro público tem que ser usado com correção e transparência", afirma.

Os cartões corporativos foram criados em 1998, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para facilitar pagamentos de rotina das autoridades, como combustíveis, pequenos consertos e diárias de hotel em viagens de trabalho.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »