Reforma da Penitenciária de Araraquara tornou a entrada de celulares no local mais difícil |
Cláudio Dias
Direto de Araraquara
São Paulo
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"Eu falo com as minhas filhas, com amigos mais chegados e também para arrumar umas namoradas", brinca o detento, que prefere não dizer o nome e nem por qual pena foi condenado pela Justiça. Ele já passou por uma série de unidades prisionais e agora aguarda a liberdade em Itirapina. Foi lá que ele comprou o celular por R$ 2,5 mil e tem dois chips, cada um de uma empresa de telefonia diferente.
O detento concorda que o celular é usado como ferramenta do crime organizado, mas não entra em detalhes sobre o assunto. Foi pelo celular que presos de várias unidades teriam sido orientados a desobedecer a ordem de retornar às celas depois da transferência de dois membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que ficaram incomunicáveis pouco antes do Natal. O protesto também teria sido encerrado com ordem dada pelo telefone depois da chegada da dupla em Araraquara.
Enquanto agentes e advogados cobram preços altos - que chegam a R$ 5 mil - pelo celular, as visitas ou falsas mulheres fazendo-se passar por familiares de presos cobram valores mais tímidos, que giram em torno R$ 300. Elas tentam burlar os detectores de metais enrolando os celulares em pedaços de bifes, câmara de ar de bicicletas e enrolando tudo com fita adesiva.
Mas o preso de Itirapina conta que as mulheres estão com dificuldade de manter o esquema. E quem é adepto à tentativa admite estar muito mais difícil. "Desde que passaram a usar o banquinho - um detector de metal em que a visita senta durante a revista - ficou muito complicado. Eu não tentei mais", conta uma mulher que já levou celulares para várias prisões.
Redação Terra