SP: preso conversa pelo celular com repórter

19 de janeiro de 2008 • 18h16 • atualizado às 18h17
Reforma da Penitenciária de Araraquara tornou a entrada de celulares no local mais difícil
Reforma da Penitenciária de Araraquara tornou a entrada de celulares no local mais difícil
18 de janeiro de 2008
Cláudio Dias/Especial para Terra

Cláudio Dias
Direto de Araraquara

São Paulo


Depois de várias tentativas frustradas, um detento da Penitenciária de Itirapina aceita conceder entrevista pelo celular, mesmo sabendo do risco de estar sendo grampeado pela polícia. Ele aceita falar alegando que nem todos os detentos usam o telefone para comandar o crime organizado, mas também para se comunicar com amigos e familiares.

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"Eu falo com as minhas filhas, com amigos mais chegados e também para arrumar umas namoradas", brinca o detento, que prefere não dizer o nome e nem por qual pena foi condenado pela Justiça. Ele já passou por uma série de unidades prisionais e agora aguarda a liberdade em Itirapina. Foi lá que ele comprou o celular por R$ 2,5 mil e tem dois chips, cada um de uma empresa de telefonia diferente.

O detento concorda que o celular é usado como ferramenta do crime organizado, mas não entra em detalhes sobre o assunto. Foi pelo celular que presos de várias unidades teriam sido orientados a desobedecer a ordem de retornar às celas depois da transferência de dois membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) que ficaram incomunicáveis pouco antes do Natal. O protesto também teria sido encerrado com ordem dada pelo telefone depois da chegada da dupla em Araraquara.

Enquanto agentes e advogados cobram preços altos - que chegam a R$ 5 mil - pelo celular, as visitas ou falsas mulheres fazendo-se passar por familiares de presos cobram valores mais tímidos, que giram em torno R$ 300. Elas tentam burlar os detectores de metais enrolando os celulares em pedaços de bifes, câmara de ar de bicicletas e enrolando tudo com fita adesiva.

Mas o preso de Itirapina conta que as mulheres estão com dificuldade de manter o esquema. E quem é adepto à tentativa admite estar muito mais difícil. "Desde que passaram a usar o banquinho - um detector de metal em que a visita senta durante a revista - ficou muito complicado. Eu não tentei mais", conta uma mulher que já levou celulares para várias prisões.

Redação Terra
 
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