Aparelhos são enrolados em fita isolante para o transporte para dentro dos presídios |
Cláudio Dias
Direto de Araraquara
São Paulo
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Segundo a mulher, uma parte do dinheiro é dela e a outra quantia é destinada ao agente encarregado do contato direto com o detento. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), por sua vez, não comenta sobre os valores e afirma que todos os casos denunciados são apurados. Agentes penitenciários e advogados são apontados em investigações como os principais transportadores de aparelhos para dentro da prisão.
Na Penitenciária de Araraquara, um preso pagava, no máximo, R$ 2 mil por um celular até a rebelião de 2006. Após a reforma geral da unidade, concluída em maio do ano passado, ficou bem mais difícil conseguir entrar com um aparelho. A "inflação da encomenda" aumenta conforme a dificuldade da operação.
Há poucas semanas, um detento pagou pouco mais de R$ 4 mil para ter acesso à comunicação externa. O telefone foi apreendido na cela e o interno, punido. "Está difícil entrar, então precisamos cobrar caro mesmo", disse a mulher envolvida no esquema, que se recusou a explicar quais eram os "macetes de entrada".
A situação é semelhante em outros presídios do Estado. Um preso que cumpre pena por roubo na Penitenciária de Ribeirão Preto pagou, há alguns meses, R$ 2,5 mil por metade de um celular. "Esse telefone é meu e de um colega de cela. Quando eu cheguei, ele já existia e comprei metade para usar", disse. O aparelho pré-pago precisa de créditos, o que é facilmente solucionado com ajuda externa. A mãe do interno fica responsável pela recarga. "Ele me liga o dia inteiro", contou a mãe.
A mesma quantia de R$ 2,5 mil é paga pelos detentos da Penitenciária 2 de Itirapina, segundo um dos presos. No complexo penitenciário de Hortolândia, a cena é a mesma. Lá, um detento usa o telefone em rateio com outros colegas. Não existe um preço fixo por uso, por isso todos os internos que utilizam o aparelho se cotizaram para pagar R$ 3 mil pelo celular.
Na crítica Penitenciária de Presidente Venceslau, no oeste paulista, é possível adquirir um telefone por até R$ 5 mil. "Lá é mais caro porque é tranca", revela um advogado que não quer ser identificado, lembrando que a unidade é considerada de segurança máxima. No presídio, estão os detentos apontados como as principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Julio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, entre outros.
O mesmo acontece no presídio de Avaré. Lá, segundo dados dos próprios internos, existiriam poucos telefones. E cada um entrou por mais de R$ 5 mil. Em outras unidades, os preços se alteram. Em Iaras, por exemplo, um celular na mão do preso sai por R$ 3 mil. Em Serra Azul, é mais barato: em torno de R$ 2 mil. Na Penitenciária de Mirandópolis, vale R$ 3 mil, mesmo valor pago em Lavínia.
Já no CDP de São Vicente e na Penitenciária de Getulina, os presos pagariam R$ 2,5 mil por telefone. Em Valparaíso, o telefone sairia por R$ 3,5 mil e, em Tremembé, por R$ 3 mil. Das casas penais investigadas pela SAP, as cadeias na Grande São Paulo apresentariam o menor grau de dificuldade para a entrada de celulares. No CDP de Guarulhos, segundo parentes de presos e advogados, é possível comprar um celular por R$ 1,5 mil, mesmo valor pago no CDP do Belém.
Redação Terra