Estimativa é a de que Governador Valadares tenha recebido em torno de R$ 80 milhões em remessas do exterior em 2007 |
Ney Rubens
Direto de Governador Valadares
Minas Gerais
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"Não sabemos quantos emigrantes estão voltando, mas é claro que nossa economia é dependente deles", disse. Segundo a Prefeitura de Governador Valadares, as remessas em dólares enviadas pelos emigrantes representaram um terço do orçamento municipal deste ano. A estimativa é a de que o município tenha recebido em torno de R$ 80 milhões em remessas do exterior, somente em 2007.
O coordenador geral do Centro de Informação, Apoio e Amparo para a Família e ao Trabalhador no Exterior (Ciaat), Antônio Carlos Linhares, alerta que a economia local não tem condições de absorver as pessoas que estão voltando para a terra natal.
"Fala-se que em torno de 40 mil valadarenses estejam nos Estados Unidos. Se 10% dessas pessoas retornarem, não há como serem incluídas na economia da cidade. Vai haver desemprego em massa", afirmou.
"O pior erro foi acreditar que a emigração seria para sempre. Agora ela demonstra ser um ciclo que pode chegar ao fim. Prevíamos um retorno dos emigrantes e por isso o Ciaat resolveu apoiar a geração de emprego e renda, mas ainda estamos no início dos trabalhos", completou Linhares.
O Ciaat e a Aspaemig foram criadas em Governador Valadares para fornecer alternativas e orientar possíveis investimentos dos emigrantes e de suas famílias, que geralmente recebem as remessas no Brasil.
Criado em julho de 2006, o Ciaat fez um diagnóstico sobre a emigração na cidade junto com a Universidade Vale do Rio Doce (Univale). O estudo "A Migração Internacional na Perspectiva da Família do Emigrante" permitiu identificar os efeitos negativos e positivos da emigração pelo ponto de vista das pessoas que ficaram na cidade ou que já foram para fora do País.
Para Linhares, a pesquisa mudou a forma com que a sociedade enxerga o fenômeno. "Agora existe um consenso de que a emigração também traz efeitos negativos para as pessoas, como a desestruturação das famílias, e que a economia não se desenvolveu tanto como se dizia", explicou.
Atualmente, o Ciaat atua em mais oito cidades da região do Vale do Rio Doce. A sua principal ação é fomentar projetos de geração de trabalho e renda apresentado pelas organizações sociais.
"Não pretendemos desestimular a emigração, mas apresentar outras alternativas tanto para quem pensa em emigrar, quanto para os familiares de quem já está fora do País", disse Linhares.
Com o apoio do governo federal, o Ciaat já investiu R$ 856 mil em 16 projetos que beneficiaram diretamente 1,7 mil pessoas. Projetos como o Consagrarte, uma cooperativa formada por 13 mulheres e parentes de emigrantes que acabaram de fechar um convênio com o Banco do Brasil. Aproximadamente R$ 42 mil serão investidos na compra de máquinas e matéria-prima para a produção.
"Começamos o trabalho em outubro de 2006 e até hoje não tínhamos lucro, todo o dinheiro era reinvestido na cooperativa na compra de matéria-prima para continuarmos produzindo", comentou Euzira Pena Ferreira, 49 anos.
O filho dela tem 25 anos e mora nos Estados Unidos há dois anos. "A nossa expectativa é que nossos negócios melhorem, assim não vamos mais depender do dinheiro dos emigrantes", explicou.
A Aspaemig, por sua vez, nasceu depois que uma comissão composta pelo prefeito da cidade e representantes do poder legislativo municipal esteve nos Estados Unidos visitando os emigrantes.
"Nós percebemos as dificuldades que eles possuem em se organizar e se comunicar com o poder público aqui no Brasil", afirmou Santana. Com representantes no exterior e na cidade, a principal ação da Aspaemig é facilitar o contato de emigrantes e familiares com a embaixada e outros órgãos públicos.
Redação Terra