A recessão na economia americana, o desemprego em alta e a desvalorização do salário na construção civil - reflexos da crise imobiliária no país - vêm fazendo com que os emigrantes brasileiros retornem mais cedo do que planejaram ao Brasil. O sonho de ganhar salários até quatro vezes maiores e rapidamente construir um patrimônio pode se tornar um pesadelo.
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Foi o que aconteceu com Leonardo Corrêa dos Santos, 23 anos, que voltou há dois meses para Governador Valadares, na região leste de Minas Gerais, depois de ter vivido em Miami por três anos.
O serviço dele na cidade americana era chamado de "wood floor". Santos trocava e instalava pisos de madeira em casas e apartamentos e conta que, nos dois primeiros anos que esteve lá, chegava a fazer de três a quatro serviços por semana. No último mês em território americano, no entanto, conseguia apenas um.
"Os donos das casas dizem que a crise imobiliária pegou todo mundo de surpresa, que tinham perdido o dinheiro investido nos imóveis e por isso as reformas e as construções diminuíram tanto", explicou.
Com a baixa na oferta de serviço, os trabalhadores do ramo da construção civil começaram a trabalhar por salários menores. Segundo Leonardo, o valor pago nos dois primeiros anos era de até US$ 2,50 por aproximadamente 30,5 cm (1 feet). Atualmente, o valor pago é de US$ 1,75.
"O valor do dólar já estava baixo no Brasil e ainda diminuíram nosso salário, foi aí que percebi que não estava compensando mais ficar por lá", comentou.
Segundo Santos, só não volta ao País quem tem vergonha de chegar sem dinheiro. "Por lá não está dando para acumular, todo mundo está ganhando o mínimo para se sustentar", constatou.
Ronaldo Ferreira da Silva, 33 anos, por sua vez, voltou para Governador Valadares depois que passou três anos nos EUA. "Não mais compensava viver nos Estados Unidos porque trabalhava muito e o dinheiro que recebia lá não fazia muita diferença aqui", explicou.
Ele lembrou que na época em que deixou o Brasil, US$ 1 valia aproximadamente R$ 3,30. Enquanto viveu em Boston dividia o dia com os trabalhos na construção civil e na limpeza de restaurantes, recebendo US$ 3 mil por mês, o equivalente a R$ 9,9 mil.
Com a cotação da moeda americana no Brasil abaixo dos R$ 2 desde meados de agosto, Silva achou que não compensava mais continuar. "Eu ficava segurando o dinheiro na esperança da cotação aumentar. Mas nunca acontecia e, enquanto isso, minha família passava por dificuldades aqui, porque dependia das minhas remessas", relembrou.
As esperanças dele também foram abaladas com o início do forte inverno que diminuiu as ofertas de trabalho nos Estados Unidos. "O ramo da construção civil praticamente pára durante o inverno, porque não tem como você construir nada no meio daquele tanto de neve," explicou.
Há três semanas, Silva voltou para o País e reencontrou a mulher e os dois filhos - de 9 anos e 7 anos - que havia deixado no Brasil. "Tomei um susto quando vi o tamanho das crianças, perdi muita coisa importante da vida delas. Agora o sonho é aqui. Quero conseguir acumular dinheiro para começar a investir na cidade, perto da minha família," afirmou.
- Redação Terra


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