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Homem devolve R$ 17 mil e pede oração em "troca"

10 de janeiro de 2008 16h35 atualizado às 19h05

O caminhoneiro Valdir Costa dos Santos, 41 anos, morador em Curitiba (PR), devolveu ao verdadeiro dono R$ 17 mil que encontrou em uma bolsa perdida no estacionamento do posto de combustível Bola Branca, às margens da BR-153, em Promissão, interior de São Paulo.

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O dinheiro pertencia ao engenheiro agrônomo José Carlos de Oliveira, morador de Lins (SP), que parou no posto para almoçar com a família e deixou cair a pochete com os R$ 17 mil que seriam usados para comprar gado.

Os R$ 17 mil equivalem a um ano e meio de salário do caminhoneiro, que recebe cerca de R$ 1,2 mil por mês para transportar refrigerantes. Mesmo assim, Santos, pai de cinco filhos, gastou dinheiro comprando cartões de telefone e passou dois dias tentando encontrar Oliveira.

"Achei um cartão com o número do telefone do irmão dele, mas localizá-lo foi difícil", disse.

"O problema é que não sabia o que fazer com aquele dinheiro, estava incomodado. Só queria devolvê-lo ao dono, porque se fosse meu, eu ia querer de volta", afirmou Santos.

Na noite de terça-feira, Santos e Oliveira se encontraram em São José do Rio Preto (SP). O engenheiro recebeu os R$ 17 mil, intactos.

"Na verdade eu nem sabia quanto tinha lá dentro, só sabia que era bem mais do que aquilo que ganho", disse Santos.

Oliveira tentou retribuir o gesto ao caminhoneiro, que não aceitou a recompensa em dinheiro. "Eu disse a ele que se quisesse, poderia orar por mim e pela minha família, que já estava bem pago", contou Santos.

Para o caminhoneiro, a devolução do dinheiro não deveria ser vista como uma coisa rara.

"Lembrei que no Natal de 94 fui assaltado em São Paulo, onde tinha parado para fazer umas compras. Os ladrões roubaram o pagamento e o 13º salário e passei um Natal pobre com minha família. O que fiz, foi só uma obrigação, pois o dinheiro não era meu", comenta.

Apesar da honestidade, o caminhoneiro passou a sofrer brincadeiras por parte dos amigos, que começaram a chamá-lo de "burro", por ter devolvido o dinheiro.

"Eles dizem que ganhei o troféu da burrice, que fui um idiota em devolver o dinheiro, porque o dono é rico", contou.

"Mas o que quero é servir de espelho e de bom exemplo para meus filhos. Quero que eles, meus amigos e meus patrões me vejam como uma pessoa honesta e isso não tem dinheiro que paga".

Especial para Terra