O depoimento de Néstor Norberto Cendon, carcereiro, denuncia que a Argentina tinha bases no Brasil durante a Operação Condor, entre as décadas de 1970 e 1980. A operação trata da formação de um sistema de inteligência para troca de informações entre as ditaduras latino-americanas sobre os oposicionistas ao regime militar. Durante a Condor, houve mortes e desaparecimentos de opositores do regime. As informações são da Folha de S.Paulo.
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O depoimento, prestado em 1984, faz parte de um processo que condenou, na Argentina, o general Cristino Nicolaides, 83 anos, ex-comandante do Exército e membro da quarta junta militar que governou o país em 1982 e 1983, por mortes e desaparecimentos ocorridos na época. A condenção de Nicolaides e outros seis militares e um policial ocorreu no último dia 18.
O documento foi obtido pelo presidente do Movimento Nacional de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, Jair Krischke. Segundo o processo, as bases argentinas ficavam em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de um posto na fronteira, no interior do Rio Grande do Sul.
O objetivo seria "detectar pessoas vinculadas à 'subversão', controlá-las e manterem-se informados sobre todos seus movimentos". Os militares que trabalhavam no Brasil, estavam vinculados ao Batalhão de Inteligência 601, que seria um centro militar de interrogatórios e de tortura do regime.
Além do Brasil, a ditadura argentina teve bases no Paraguai, Bolívia, Peru, e Uruguai, dentro do que o carcereiro informou fez parte da Operação Morcego.
- Redação Terra
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