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Jânia espera por um transplante de fígado há quatro anos. No domingo, ela recebeu um telefonema do hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que teria localizado um órgão para ela. "Eu fiquei ansiosa", contou.
O doador era uma criança de 6 anos, de São Paulo, que teve morte cerebral. O fígado estava a espera de uma pessoa de no máximo 40 kg, que era o caso de Jânia.
Hoje, no entanto, outro telefonema do hospital informou que o transplante não seria realizado e que o fígado nem chegou a sair de São Paulo.
O Brasil tem 7.036 pacientes na fila do transplante de fígado. Seguindo critérios que levam em conta urgência e compatibilidade entre doador e paciente, a central nacional fez uma triagem para indicar quem deveria receber o órgão.
O primeiro que teria direito ao transplante também era um paciente do hospital do Rio de Janeiro, mas ele foi descartado porque era pesado demais pra receber o fígado de uma criança.
O hospital indicou Jânia como segunda opção, mas a central do Rio de Janeiro negou autorização do transplante. A coordenadora da central de transplantes, Ellen Barroso, disse que a equipe médica do hospital é investigada pelo SUS e pelo Ministério Público por supostas irregularidades na escolha de pacientes que têm prioridade.
A coordenadora disse que não tinha informações suficientes para garantir que a fila estava sendo respeitada. "Nós temos que seguir a lista de espera a fim de que todos os pacientes independente se são ricos, pobres, anônimos ou famosos possam receber um transplante com transparência", argumentou.
"É uma infelicidade, porque o fígado foi jogado fora e era uma chance única dessa paciente ser transplantada. E não vejo nenhum motivo pra ter esse tipo de desconfiança da central", afirmou Eduardo Fernandes, médico responsável pelo transplante.
Redação Terra