PA: jovem presa tem debilidade mental, diz delegado

27 de novembro de 2007 • 11h34 • atualizado às 20h13

Maria Clara Cabral
Direto de Brasília

Brasil


Em audiência pública na comissão de Direitos Humanos do Senado, nesta terça-feira, o delegado geral do Pará, Raimundo Benassuly, disse que, em sua opinião, a jovem que foi presa em uma carceragem do Pará com outros 20 homens tem algum tipo de debilidade mental.

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"Essa moça tem certamente algum tipo de debilidade mental, porque em nenhum momento ela manifestou ser menor de idade", disse. A governadora do Estado, Ana Júlia Carepa, que também participou da audiência, limitou-se a dizer que o caso não tem justificativa nenhuma, mas evitou comentar a declaração do delegado.

"Não tem justificativa alguma. Se alguém tem que justificar é um absurdo", afirmou Ana Júlia. A governadora participou apenas do início da audiência do Senado e segue para encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

Em sua exposição aos senadores, Ana Júlia admitiu que o Estado apresenta carência no sistema prisional, mas disse que ela não poderia ter mudado muita coisa nos seus dez meses e meio de governo. "Não tem como, em dez meses e meio, resolver todos os problemas estruturais".

A governadora classificou o caso como uma "barbárie" e o atribuiu a uma sucessão de erros graves. Ela disse esperar que isso sirva de exemplo para ser extirpado do Brasil. "É um sistema falho desde o delegado, mas a diferença é que eu não tenho medo. Vamos agir para que ninguém saia impune. Todos precisam apurar suas responsabilidades".

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), César Brito, comentou a declaração do delegado e disse que esta é uma compreensão hipócrita. "Não podemos achar que por ser maior (de 18 anos) ela poderia ter sido estuprada. Este é um preconceito que existe no País contra pobre, preto e prostituta".

Brito também disse que o caso da menina do Pará poderia ser julgado como improbidade administrativa, pois a verba pública não teria sido direcionada ao sistema carcerário. "Tem que ser apurado por que o dinheiro não foi direcionado ao sistema. Não só no Pará, mas em todo o País tem que ser investigado", afirmou César Brito.

Redação Terra
 
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