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Biscaia: Beira-Mar montou organização incontrolável

23 de novembro de 2007 22h20 atualizado às 23h16

O secretário nacional de Segurança Pública, Antonio Carlos Biscaia, disse nesta sexta-feira que não há regime ou sistema prisional no Brasil capaz de impedir que o Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, continue mantendo contato com o mundo externo e comandando a sua organização criminosa de dentro da cadeia. "Ele montou uma organização incrível e incontrolável", afirmou.

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Nesta semana, a Polícia Federal (PF) prendeu 11 pessoas ligadas à quadrilha do traficante nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. A mulher de Beira-Mar, Jaqueline Alcântara de Morais, também foi presa na operação e, na casa dela, foram apreendidos US$ 200 mil em espécie, além de jóias, documentos e computadores.

Ela é apontada pela PF como a segunda pessoa mais importante da quadrilha comandada por Beira-Mar da penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

Segundo Biscaia, o traficante está incluído no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) que o obriga a ficar isolado durante 20 horas ao dia e sem contato com nenhum outro preso. "Não há como impedir que ele tenha contato com familiares, amigos e advogados que atuam como pombo-correio dele. Alguns estão morando na cidade dos presídios onde ele fica preso para facilitar o contato", afirmou Biscaia. "A lei faculta a ele o direito de receber essas visitas e não temos como impedir. A Justiça não nos daria essa concessão", acrescentou.

Apesar do isolamento, Beira-Mar usa, segundo o secretário, técnicas para tentar intimidar e pressionar os agentes penitenciários que trabalham no presídio. "Outro dia um agente me contou que o Beira-Mar virou para ele e disse: 'muito bonita a moça loira com a qual você estava no shopping em Foz do Iguaçu, no dia tal e na hora tal'. Ele joga pesado", declarou.

"Outro dia, no banho de sol, ele ofereceu ajuda e auxílio a família de um preso de Campo Grande. Assim ele vai construindo uma rede de confiança e atuação", acrescentou o secretário.

Ele descartou a possibilidade de a estratégia de Beira-Mar facilitar a comunicação do traficante com o meio externo. "Não acredito que isso possa ocorrer lá. São profissionais sérios, concursados e bem remunerados", destacou.

Segundo ele, o salário médio de um agente penitenciário federal é de cerca de R$ 4 mil, ao passo que os profissionais estaduais recebem cerca de 800 reais. "Se não for em presidio federal, não tem como controlar o mínimo possível. Às vezes nem e por má fé, mas o agente fica acuado e se sente intimidado", disse.

O secretário avaliou ser pouco provável que a transferência do traficante para um outro país seja autorizada pela Justiça brasileira. "Sempre vai ter um magistrado na defesa dos direitos dos presos", avaliou.

O secretário considera Beira-Mar um traficante irrecuperável e irresocializável. Além de defender a segregação do bandido em penitenciárias de segurança máxima, o secretário também se declara favorável ao fim das vítimas íntimas para o traficante.

"Lá fora (no exterior) não tem isso. Quando defendo isso aqui, só faltam me matar, mas se ele é irrecuperável, por que dar vantagens? As visitas intimas estão sendo usadas também para articular a organização criminosa", finalizou.

Reuters
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