Ingresso para o Cristo provoca polêmica no Rio

20 de novembro de 2007 • 17h00 • atualizado às 17h34

Um santuário está no meio de crise entre a Prefeitura do Rio, o Ibama e a Arquidiocese. A decisão de cobrar ingressos no acesso ao Corcovado a partir de janeiro irritou o prefeito Cesar Maia.

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Depois de dizer que vai deixar de operar o elevador e as escadas rolantes, o prefeito fez ontem duras críticas ao Ibama no seu ex-blog: "Tal oportunismo deveria ser respondido pelo Ministério Público Federal com ação que obste tal cobrança, por absurda e ilegal. Que a ministra do Meio Ambiente ou presidente Lula interrompa a agiotagem do Ibama".

O superintendente do Ibama, Rogério Rocco, por sua vez, disse que ficou surpreso com Cesar e lembrou que o ingresso é cobrado há 22 anos: "É lamentável que no momento em que há ordenamento a prefeitura deixe de ser parceira". O prefeito manteve o ataque: "Ele está 'Rocco' de tanto mentir".

Visitantes vão pagar R$ 13 para fazer o trajeto em vans licitadas pelo Ibama que vão do Parque das Paineiras até o Cristo. Hoje, carros e táxis pagam R$ 5 mais R$ 5 por pessoa. "A licitação foi feita e a proposta mais barata venceu. A empresa terá que administrar a cobrança de ingresso, transporte e manutenção das catracas. A pessoa agora vai chegar nas Paineiras, estacionar e comprar o ingresso para subir de van", destacou Rocco.

Rocco afirmou ainda que a transformação do monumento do Cristo Redentor em Santuário, realizada pela Igreja Católica, não obriga o poder público a permitir o acesso gratuito. "Essa transformação não se estende ao parque da Tijuca, que é uma área nacional de domínio da União", ressaltou.

A Arquidiocese é contra a cobrança e negocia com o Ibama para que sejam isentos os que forem a pé. O Ibama diz que precisa de 6 meses para licitar uma empresa que assuma a operação de escadas rolantes e elevador.

Manutenção
No início do mês, a prefeitura notificara o Ibama, dando prazo de 60 dias para que o órgão mantenha e comece a operar elevadores e escadas rolantes. A justificativa do prefeito é que com a nova receita o Ibama terá condições de assumir os serviços hoje a cargo da Rioluz. "O Ibama lamenta a miopia política da atual administração da cidade. Era uma bandalheira e estamos querendo organizar", disse Rocco.

O superintendente Rogério Rocco afirmou que a interrupção do sistema de escadas rolantes e elevadores, em janeiro, representará uma ameaça ao turismo do Rio. "Era escandalosa a ausência do poder público antes. O ordenamento incomodou muita gente que se beneficiava da ilegalidade. Impressiona é que também tenha incomodado o prefeito", diz ele.

A taxa de R$ 5 para chegar até o Cristo deverá atingir 200 mil turistas que sobem pela Estrada das Paineiras todo ano. Para 600 mil que usam o trenzinho não muda nada. "Vai ficar salgado para quem vem com a família, pois já temos que pagar pela van", criticou a turista paulistana Maria Aparecida de Souza Leão, 45, que esteve ontem no Cristo com mais seis pessoas.

O Ibama alega que as mudanças vão dar mais segurança aos visitantes. Em maio deste ano, 22 pessoas foram presas acusadas de desviar cerca de R$ 10 milhões da bilheteria.

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