Prefeito critica Ibama por cobrar acesso ao Corcovado

20 de novembro de 2007 • 03h11 • atualizado às 03h11

Um santuário está no meio de crise entre a prefeitura, o Ibama e a Arquidiocese. A decisão de cobrar ingressos no acesso ao Corcovado a partir de janeiro irritou o prefeito Cesar Maia. Depois de dizer que vai deixar de operar o elevador e as escadas rolantes, como mostrou O Dia em 4 de novembro, o prefeito fez ontem duras críticas ao Ibama no seu ex-blog: "Tal oportunismo deveria ser respondido pelo Ministério Público Federal com ação que obste tal cobrança, por absurda e ilegal. Que a ministra do Meio Ambiente ou presidente Lula interrompa a agiotagem do Ibama".

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O superintendente do Ibama, Rogério Rocco, ficou surpreso com Cesar e lembrou que o ingresso é cobrado há 22 anos: "É lamentável que no momento em que há ordenamento a prefeitura deixe de ser parceira". O prefeito manteve o ataque: "Ele está 'Rocco' de tanto mentir".

Visitantes vão pagar R$ 13 para fazer o trajeto em vans licitadas pelo Ibama que vão do Parque das Paineiras até o Cristo. Hoje, carros e táxis pagam R$ 5 mais R$ 5 por pessoa. A Arquidiocese é contra a cobrança e negocia com o Ibama para que sejam isentos os que forem a pé. O Ibama diz que precisa de 6 meses para licitar uma empresa que assuma a operação de escadas rolantes e elevador.

Rioluz pára manutenção em janeiro
No início do mês, a prefeitura notificara o Ibama, dando prazo de 60 dias para que o órgão mantenha e comece a operar elevadores e escadas rolantes. A justificativa do prefeito é que com a nova receita o Ibama terá condições de assumir os serviços hoje a cargo da Rioluz.

O superintendente Rogério Rocco afirmou que a interrupção do sistema de escadas rolantes e elevadores, em janeiro, representará uma ameaça ao turismo do Rio. "Era escandalosa a ausência do poder público antes. O ordenamento incomodou muita gente que se beneficiava da ilegalidade. Impressiona é que também tenha incomodado o prefeito", diz ele.

A taxa de R$ 5 para chegar até o Cristo deverá atingir 200 mil turistas que sobem pela Estrada das Paineiras todo ano. Para 600 mil que usam o trenzinho não muda nada. "Vai ficar salgado para quem vem com a família, pois já temos que pagar pela van", criticou a turista paulistana Maria Aparecida de Souza Leão, 45 anos, que esteve ontem no Cristo com mais seis pessoas.

O Ibama alega que as mudanças vão dar mais segurança aos visitantes. Em maio deste ano, 22 pessoas foram presas acusadas de desviar cerca de R$ 10 milhões da bilheteria.

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