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PF: Cisco usou laranjas para doar R$ 500 mil ao PT

18 de novembro de 2007 03h20 atualizado às 08h22

De acordo com a Polícia Federal (PF), a multinacional Cisco aproveitou-se de duas empresas laranjas para fazer uma doação ao PT. A operação foi descoberta a partir de documentos apreendidos e de escutas telefônicas feitas pelos agentes. De acordo com a PF, em troca da doação, um edital de licitação da Caixa Econômica Federal (CEF) seria modificado para que a empresa Damovo, uma distribuidora de produtos da Cisco, vencesse uma disputa para um contrato de R$ 9 milhões. Duas notas fiscais emitidas em agosto e setembro no valor de R$ 250 mil cada uma são as provas da transação. As informações são da Folha de S.Paulo.

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A Cisco foi investigada pela Operação Persona, deflagrada em outubro pela Polícia Federal. De acordo com a PF, a multinacional é acusada de organizar uma cadeia de empresas interpostas no Brasil e nos Estados Unidos para a realização de diversas fraudes no comércio exterior. Os envolvidos, segundo a Receita, deixaram de recolher R$ 1,5 bilhão em impostos.

Duas denúncias à Justiça sobre o caso já foram oferecidas pelo Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP). Elas relatam pelo menos 16 importações fraudulentas realizadas entre 2006 e 2007, além do uso de notas fiscais falsas em operações de compra e venda.

A primeira denúncia atinge o ex-presidente da Cisco no Brasil, Carlos Roberto Carnevali, e mais dez pessoas entre sócios, diretores e funcionários do grupo Mude e What s Up (considerado o setor de importações da Mude). Carlos Roberto Carnevali, até bem pouco tempo vice-presidente da empresa para a América Latina, está preso preventivamente.

Recibos
Entre as provas que a PF tem das doações estão dois recibos de doações de R$ 250 mil cada um para o diretório nacional do PT. Os recibos apreendidos estavam com Marcelo Naoki Ikeda, diretor de vendas da Mude, empresa-cabeça do esquema para beneficiar a Cisco, segundo a PF.

Duas empresas, a ABC Industrial e a Nacional Distribuidora de Eletrônicos, são quem assina os papéis. Mas, segundo a polícia, elas não têm estrutura para doar R$ 250 mil cada uma a um partido político.

A prova de que a doação foi feita para o PT está na assinatura de quem recebeu: Angela Silva, que integra a Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento do partido.

Ligação com a Cisco
A ligação entre a ABC Industrial e a Nacional Distribuidora só foi feita por escutas telefônicas. Nas conversas, Carlos Carnevali Júnior, diretor de vendas, fala sobre as doações.

Dois executivos da empresa falaram à Folha, sob condição de anonimato, e explicaram que Carnevali Júnior conta que havia sido procurado por um petista, que ofereceu-lhe facilidades nos leilões da Caixa em troca de uma contribuição.

A Cisco não comentou as doações e informou ao jornal que afastou os executivos que estariam envolvidos nas negociações.

Tesoureiro confirma doações
Paulo Ferreira, secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT, confirmou as doações feitas à legenda pelas empresas ABC Industrial e Nacional Distribuidora. Ferreira entretanto, negou o favorecimento em licitação da Caixa.

Em nota oficial, o partido ifnorma que não é dele a "obrigação nem possibilidade de aferir se a empresa é suspeita de alguma irregularidade fiscal ou de outra natureza, tampouco se está sendo investigada pelos órgãos públicos".

Redação Terra