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"Vamos fazer um verdadeiro mutirão em todos os controles dos laticínios, com uma equipe de profissionais que irá inspecionar tudo o que cada empresa faz", afirmou o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa, Nelmon Oliveira da Costa.
De acordo com ele, por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF), a fiscalização nas 400 empresas processadoras do leite no País deixará de ser pré-fixada e passará a ter uma periodicidade aleatória. "Essa inspeção não mais será com apenas um técnico, mas com uma equipe de dois ou três profissionais e poderá ser feita de duas ou três vezes por semana, ou por mês, dependendo do nível de organização da empresa", informou Nelmon.
Ele destacou que o selo de certificação do SIF significa que técnicos sanitários do ministério e das secretarias estaduais estão dentro destas fábricas analisando os produtos, o que não exime o fabricante da responsabilidade pela qualidade final.
As mudanças no formato de fiscalização foram idealizadas para sustar qualquer tentativa de adulteração do produto nas diferentes fases de produção. No fim de outubro, a Polícia Federal realizou a Operação Ouro Branco, que detectou a adulteração no leite produzido por cooperativas das cidades de Uberaba e Passos, em Minas Gerais. Nas amostras de leite, foram encontrados produtos como água sanitária e soda cáustica.
Nelmon explicou que desde 2003 foi implementado um programa nacional de combate à fraude no leite produzido no Brasil. "Com ele, realizamos até hoje exames em 4 mil amostras, pesquisando fraudes. Só que estávamos pesquisando um tipo de fraude o acréscimo de sacarose, maltodextrina, amido e soro - e as empresas praticavam outro tipo que não era detectado em nossos exames de rotina", avaliou.
Segundo ele, das três empresas pegas na Operação Ouro Branco da Polícia Federal, somente a Parmalat apresentou contraprova e está liberada para a comercialização do produto. "As marcas Calu e Centenário ainda não submeteram seus produtos a nova análise do ministério", informou Nelmon.
Ele explicou ainda que o leite que foi adulterado já foi retirado de circulação, mas que pode ser utilizado em alimentação animal. "No caso de ser descartado pelas empresas, deve ser feito de forma a não agredir o meio ambiente, por exemplo, em lagoas de tratamento onde o produto não apresenta riscos. Dessa forma, aquele expediente de enterrar o leite nas caixinhas é totalmente inadequado e não atende às normas recomendadas pelo ministério".
Agência Brasil