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Radicais querem criar novo partido de esquerda

08 de novembro de 2003 21h26 atualizado às 21h26

Insatisfeitos com a política "neoliberal" do governo Lula e com as decisões da cúpula do Partido dos Trabalhadores, líderes políticos, sindicalistas e ativistas lançaram hoje, durante o Fórum Social Brasileiro, um movimento para criar um partido de esquerda que poderá abrigar numa mesma legenda o atual PSTU e os chamados "radicais" do PT.

Os deputados petistas Luciana Genro (RS), Babá (PA) e João Fontes (SE) - cuja expulsão do partido deve ser oficializada no próximo encontro do diretório nacional do PT, em dezembro - disseram que vão aproveitar esse período até lá, chamado por eles de "expulsão branca", para articular o movimento.

"A vanguarda do PT está rompendo com esse PT transgênico, organicamente modificado, com genes da burguesia", disse Babá a jornalistas antes de um debate com os deputados radicais. Ele afirmou esperar que o processo de discussão para a formação do novo partido esteja concluído até maio ou junho. Também participam da ação grupos como o Movimento de Iniciativa Socialista (MIS), de Santa Catarina, e o Reage PT, do Rio.

"Uma nova ferramenta de luta se faz necessária diante da degeneração causada pela cúpula do PT", disse a deputada Luciana Genro. "Existe, sim, quem não se vende nem se deixa cooptar pelas benesses do poder. (...) Nós não vamos enrolar nossas bandeiras e vamos construir um novo partido".

O presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, candidato derrotado à Presidência da República nas últimas eleições, disse que a nova legenda deverá ser "superior" e mais ampla que o PSTU e por isso é preciso haver um amplo debate nas bases, que poderá levar até um ano para ser concluído - proposta que já provoca divergências com os deputados radicais do PT, que não pretendem ficar muito tempo sem partido após sua provável expulsão.

"É natural haver divergências", comentou José Maria, ressaltando que não abre mão de um espaço de debate. "(Mas) acredito que o espaço político para um novo partido é muito grande", acrescentou.

Críticas a Lula
Durante o evento na chamada "Tenda dos Radicais" do Fórum Social Brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo não foram poupados das críticas. O deputado João Fontes disse estar "convencido de que José Dirceu é pior que o Golbery", citando o general Golbery do Couto e Silva, fundador do Serviço Nacional de Informações (SNI), durante a ditadura militar, por suas ações ditatoriais. Afirmou ainda que o atual governo é "entreguista" e "uma continuidade piorada do governo Fernando Henrique Cardoso". "O nosso cavaleiro já ficou amigo dos banqueiros", afirmou.

O sindicalista Agnaldo Fernandes, integrante da executiva nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendeu a necessidade de um novo partido para ser um "instrumento político para a classe trabalhadora". "Não vamos nos desdobrar aos mandos e desmandos do Fundo Monetário Internacional (FMI), como fez o governo Lula", salientou.

Presente ao evento em "solidariedade" aos deputados radicais, o filósofo Paulo Arantes, da Universidade de São Paulo, que participou ativamente da campanha de Lula, defendeu que uma alternativa deve ser construída, mas disse não acreditar que a saída seja um novo partido de esquerda. "É preciso encontrar novas formas de organização", analisou.

Reuters
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