Lula diz que Namíbia é limpa e não parece África

07 de novembro de 2003 • 13h47 • atualizado às 13h57
Lula durante cerimônia na Namíbia Foto: Agência Brasil
Lula durante cerimônia na Namíbia
07 de novembro de 2003
Foto: Agência Brasil

Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o discurso de despedida da viagem à Namíbia, provocou constrangimento na comitiva brasileira.

"Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade", disse Lula.

O discurso do presidente, que abriu mão de ler um texto mais formal para falar de improviso, foi traduzido do português para o inglês pelo tradutor da comitiva brasileira, que omitiu a palavra limpa e pulou para o comentário de Lula sobre a beleza da capital da Namíbia.

Diante do silêncio dos ministros e jornalistas que acompanham a visita oficial de Lula à África, o presidente tentou explicar o que quis dizer.

"A visão que se tem da América do Sul, e especialmente do Brasil, é que é um continente de índios pobres. E a visão que se tem da África é de um continente só de pobres, quando, na verdade, se não fosse o grande tempo de colonização e se não fossem as guerras internas, certamente os países africanos já teriam crescido de forma extraordinária", afirmou o presidente.

Exemplo
O discurso de Lula foi acompanhado por um comunicado conjunto com o presidente da Namíbia, Sam Nujoma, para marcar o fim da visita da delegação brasileira ao país.

Lula aproveitou a oportunidade para elogiar o governo namibiano e destacar a importância das negociações entre Brasil e Namíbia.

"Acho que a Namíbia é um exemplo extraordinário pela sua infra-estrutura, pelo combate à corrupção, pela democratização da política e pela dedicação do governo à parte mais pobre da população", disse o presidente.

De acordo com Lula, a África não precisa de favores, e sim de mais oportunidades, parcerias e que o "resto do mundo dê uma chance" à região ¿ em uma referência aos apelos dos países em desenvolvimento por regras mais justas no comércio internacional.

"Vamos provar que não nascemos para ser pobres e podemos competir em igualdade de condições", afirmou.

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