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MP vê elo entre caixa 2 em MS e campanha do PT

08 de novembro de 2007 14h39 atualizado em 09 de novembro de 2007 às 09h49

A investigação do Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul (MS) sobre o suposto caixa dois no governo de Zeca do PT encontrou indícios de um desvio de R$ 200 mil nas verbas publicitárias que teriam abastecido a campanha eleitoral da senadora Serys Shlessarenko (PT), candidata derrotada ao governo de Mato Grosso (MT) no ano passado. Ela nega a denúncia.

» CORREÇÃO: MP vê elo com campanha
» Caixa 2 teria bancado ações policiais
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A ex-servidora do governo de MS, Ivanete Leite Martins, testemunha-chave da investigação, afirmou que recebeu ordem para "levantar" R$ 200 mil "para a campanha do PT ao governo de MT". A ordem, segundo ela, teria sido dada pelo ex-subsecretário de comunicação Oscar Ramos Gaspar, que trabalhou no governo de MS, entre 2003 e 2006. Procurado, Gaspar não quis comentar a acusação.

Como não tem competência para investigar a senadora, o MPE encaminhou as evidências para a Procuradoria-Geral da República (PGR). A senadora negou, por meio de sua assessoria, ter recebido os R$ 200 mil e afirmou que Serys e Zeca do PT são "adversários políticos". Segundo a assessoria da parlamentar, a campanha da senadora recebeu apenas R$ 30 mil em doações de terceiros. Todos os valores, garante, foram contabilizados". Para a senadora, a informação do suposto desvio pode se referir a 2002, quando Serys não era candidata ao governo.

A promotoria, no entanto, afirma que os indícios foram encaminhados à PGR porque se referem à campanha do ano passado. A operação teria envolvido notas frias no valor total de R$ 400 mil.

Além dos R$ 200 mil que iriam supostamente para a campanha, o restante teria sido dividido entre os operadores do suposto esquema, entre eles uma agência de publicidade e uma gráfica, cujas notas fiscais justificariam o gasto com o serviço não executado.

O MP realiza uma investigação em todas as notas fiscais de serviços de publicidade contratadas pelo governo Zeca do PT. Até agora o trabalho está concentrado nos anos de 2005 e 2006.

Não é a primeira vez que a investigação dos promotores se depara com congressistas. O MPE apreendeu um livro com anotações que seriam referentes a pagamentos mensais ao senador Delcídio do Amaral e aos deputados federais Vander Loubet e Antônio Carlos Biffi, todos do PT de Mato Grosso do Sul. Os supostos pagamentos, que teriam acontecido entre 2004 e 2005, foram registrados pela ex-ordenadora de despesa da Secretaria de Coordenação Geral de Governo, Salete Terezinha de Luca.

Em seu depoimento do dia 25 de outubro, Salete contou que preenchia o livro conforme os dados fornecidos pelo então secretário Raufi Marques. Na terça-feira Delcídio e Biffi, que negam terem sido beneficiários do suposto mensalão, intimou judicialmente Raufi e Salete para que esclareçam as anotações. O livro foi submetido à perícia.

Para a promotoria, o ex-governador Zeca do PT chefiava um esquema de desvio de verbas de publicidade que pode ter movimentado R$ 30 milhões. O ex-governador e outros ex-funcionários do governo - incluindo Raufi, Salete, Gaspar e a própria Ivanete - foram denunciados em duas ações criminais por peculato (desvio de dinheiro público). As investigações se desdobraram ainda em dois processos civis. Donos de agências e gráficas também respondem judicialmente.

Redação Terra