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Caixa 2 pode ter bancado ações da polícia em MS

07 de novembro de 2007 07h51

Entre os anos de 2004 e 2005, as operações do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), uma unidade especial formada por policiais civis e militares, teriam sido bancadas com dinheiro do suposto caixa dois do governo de José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, em Mato Grosso do Sul. A informação está no depoimento prestado pelo comandante da Polícia Militar, Geraldo Garcia Orti, ao promotor Marcos Sottoriva. A versão de Orti foi confirmada pelo Ministério Público Estadual (MPE).

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Segundo o Ministério Público, R$ 30 milhões podem ter sido desviados da verba para publicidade durante o governo Zeca do PT (1999-2006). Dois livros apreendidos durante a investigação trazem anotações com nomes de políticos, funcionários públicos e jornalistas ao lado de valores que indicam, segundo o MPE, a existência de um suposto mensalão com dinheiro público desviado.

Orti, que assumiu o Comando-Geral da Polícia Militar em janeiro deste ano, figura na lista de pessoas que teriam recebido repasses de dinheiro mensalmente. Um dos registros do suposto caixa dois traz a seguinte anotação: "cel. Orti - 5.0", o que o MPE acredita se tratar de R$ 5 mil mensais. O major Carlos Barbosa, ajudante de ordens de Orti, informou que o comandante da PM não se manifestaria sobre o assunto.

Em um dos livros aparecem referências a políticos petistas, como o senador Delcídio Amaral e os deputados federais Antônio Carlos Biffi e Vander Loubet. Nomes de deputados estaduais do PDT, PR e PT também aparecem na lista ao lado de valores.

Na última quinta-feira, o comandante da PM apresentou ao promotor Sottoriva notas fiscais que comprovariam o uso do dinheiro do caixa dois em operações do DOF no período. No depoimento, o coronel afirmou que não tinha conhecimento de se tratar de dinheiro ilegal, mas de uma verba repassada pelo governo.

A versão e as notas fiscais apresentadas livraram o atual comandante da PM da condição de réu. "Ele continua na investigação, mas agora como testemunha", confirmou uma pessoa ligada à promotoria.

Perícia
Os dois livros-caixa com os nomes dos supostos mensaleiros foram encaminhados à perícia pelo MPE. Um deles será submetido a exame grafológico para comparar a letra das anotações com a de Salete Terezinha de Luca, que era a ordenadora de despesa da Secretaria de Coordenação Geral de Governo durante a gestão do ex-secretário Raufi Marques (2004-2006). Em depoimento ao MPE, Salete afirmou que preencheu o livro com informações repassadas por Raufi.

O outro livro teria sido preenchido pela testemunha-chave da investigação, a ex-servidora Ivanete Leite Martins. Ivanete denunciou a existência do esquema de desvio de dinheiro público por meio do pagamento a agências de publicidade e gráficas por serviços não executados.

Até agora, há duas ações criminais em que Zeca e Raufi, além de ex-servidores e empresários, são acusados de peculato (desvio de dinheiro público) e em dois processos civis por improbidade administrativa.

A investigação ainda está em curso. De acordo com o MPE, outras duas denúncias - uma cível e outra criminal - deverão ser formalizadas ainda nesta semana.

Redação Terra