Pai do jovem morto em rave no Rio negou que filho usasse drogas e disse que ele foi abandonado por amigos |
Christina Nascimento
Rio de Janeiro
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"Meu filho foi visto por eles, na última vez, com duas meninas num chuveiro da rave. Dali, teriam se perdido de Lucas. Pessoa que perde a outra e se diz amigo procura, mesmo que tenha 10 mil pessoas no lugar. Se é amigo de verdade, que soube fazer as mentiras juntos, não abandona. Como uma pessoa vai sair de uma festa e voltar para o Rio sem o outro amigo? Isso não é amigo", desabafou o pai de Lucas, o comerciante João Carlos Maiorano, 42 anos.
A imagem do garoto calado, que gostava de tocar violão e que mantinha alinhadas no guarda-roupa todas as camisas e calças, parece perdida numa história que envolve uma morte por overdose. Para a família, o estudante pagou com a vida pela ingenuidade. Não de ter mentido, mas, sim, de ter acreditado em amigos e que poderia ir a uma rave sem sofrer conseqüências.
"Lucas não era um playboy que toma 10 comprimidos de ecstasy, nunca foi um drogado, um delinqüente. Quem o conhecia sabia que ele era um rapaz do bem, mas ainda pecava por ser um jovem. Uma festa de 24 horas é para drogas. Ninguém vai ficar pulando durante todo esse tempo que nem pipoca. Você vai ter que consumir alguma coisa para ficar ligado", disse.
Não é a primeira tragédia na família de Lucas. Em dezembro de 2002, o primo dele, Rafael Maiorano, 15 anos, morreu atingido por um tiro durante uma brincadeira de roleta-russa. Os dois eram muito amigos na época. "Tirei os ossos do meu sobrinho para enterrar o meu filho. Dói você olhar para a cama dele e saber que nunca mais vai vê-lo. Dói mais ainda saber que a imagem dele está associada a um imaginário de pessoas que nem o conhecia. É tudo muito triste. No dia seguinte ao enterro, acordei às 5h, desesperado, querendo fazer alguma besteira", contou o pai.
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