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Uma investigação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal desmantelou, em meados de outubro, esquema pelo qual foram importados da multinacional norte-americana Cisco pelo menos US$ 500 milhões em equipamentos que teriam sido subfaturados, com sonegação de impostos.
A principal parceira da Cisco no Brasil é a distribuidora Mude, que está sob investigação. A empresa não quis comentar o assunto.
"Nós sabemos que a distribuidora aqui no Brasil que foi alvo (da investigação) já ganhou vários prêmios lá na multinacional pelo desempenho dela. A gente obviamente sabe agora porque esse desempenho era tão bom, porque estava conseguindo vender a mercadoria a preço extremamente competitivo", afirmou Schaan.
"A situação era tão boa que eles estavam no processo de levar esse modelo para outros países da América Latina", acrescentou o coordenador, que evitou citar nominalmente as empresas pois a investigação do governo corre sob segredo de Justiça.
Para a Receita, já é claro que a sede da multinacional estava integrada ao esquema fraudulento. Mas o aprofundamento das investigações nos Estados Unidos dependerá das autoridades americanas, afirmou Schaan. "A nós interessa resolver o problema aqui no Brasil", disse.
De acordo com ele, apenas a fase de triagem dos documentos apreendidos na Operação Persona demorará de quatro a seis meses. Depois dessa etapa, os auditores da Receita ainda consumirão mais "alguns meses" na fiscalização das empresas.
A Receita estima que o volume total sonegado pela esquema da Cisco possa somar R$ 1,5 bilhão, incluindo multas e juros.
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