Rio: jovem volta para casa 2 dias depois de rave

31 de outubro de 2007 • 10h12 • atualizado às 11h07
Juliana saiu da casa da mãe no fim da tarde de sábado e só voltou por volta das 22h de segunda-feira Foto: Fabio Gonçalves/O Dia
Juliana saiu da casa da mãe no fim da tarde de sábado e só voltou por volta das 22h de segunda-feira
31 de outubro de 2007
Foto: Fabio Gonçalves/O Dia

Paula Sarapu

Rio de Janeiro


Como muitas outras famílias que não sabiam por onde andavam seus filhos, enquanto eles se divertiam na rave Tribe, o vigilante Luciano Lustosa de Almeida, 38 anos, também estava desesperado, em busca de notícias da estudante Juliana Costa de Almeida, 16 anos. Ela saiu da casa da mãe no fim da tarde de sábado e só voltou por volta das 22h de segunda-feira. A família chegou a registrar seu desaparecimento na 71ª Delegacia de Polícia (Itaboraí). Juliana disse que, apesar de ser menor, entrou na festa sem problemas e consumiu bebida alcoólica. E disse ainda que viu jovens "doidaços".

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Um colega avisou aos pais que havia encontrado com Juliana na festa, na tarde de domingo. Ela contou que passou a madrugada de domingo na porta da rave, bebendo com seis amigos, três deles menores. Eles entraram na Happy Land às 6h, sem mostrar documento.

"Sempre rola drogas nessas festas, mas eu não vi ninguém usando. Tinha uma menina morrendo de rir, rolando na grama, e um garoto que subiu um poste. Era muita bagunça. Mas se a pessoa é maior e está com droga, eles não fazem nada porque é rave", disse Juliana, que admitiu ter bebido cerveja e vodca com energético.

Luciano acredita que a jovem possa ter usado drogas e que não quis voltar para casa antes de "se recuperar". Após a rave, Juliana viajou com amigos para Rio das Ostras, onde passou a segunda-feira. "Minha amiga que dirigiu também tinha bebido", contou ela, afirmando que a motorista era maior de idade. O pai fez questão de levá-la à 71ª DP (Itaboraí) para explicar a falta de juízo. Ela falou para a mãe que iria a uma boate e que dormiria na casa de uma amiga.

"Foi um desgaste muito grande. Eu ouvi barbaridades sobre o que ocorreu na festa e imaginava o que poderia ter acontecido com minha filha. Quando soubemos da morte de Lucas, nos desesperamos. Foi um absurdo o que ela fez, mas graças a Deus ela voltou para casa", afirmou Luciano. O vigilante, que peregrinou por casa de amigos da menina e hospitais, repreendeu-a severamente e disse que ela só sairá acompanhada até que a família se recupere do susto.

Com os olhos pintados, pelo menos seis brincos numa orelha, três piercings e tatuagem que fez escondida dos pais, a jovem saía uniformizada de casa há 15 dias, mas não ia às aulas da 8ª série do Colégio Estadual Barão de Itaboraí. Agora, ela vai morar com o pai.

"Não disse nada aos meus pais porque eles não me deixariam ir à rave. Já tinha ido a outras duas festas, sem falar nada para eles, como todos os meus amigos que ainda são menores de idade. Cheguei ao sítio e o pessoal estava curtindo a 'vibe'. É quase igual a um baile funk, mas a diferença é que a polícia não entra e sai dando tiro. Muita gente usa droga, mas não dá para generalizar porque tem os que vão para ouvir a música. Saí de lá 'chapada' e só depois pensei na preocupação dos meus pais. Minha mãe reclamou e meu pai me deu uma surra", afirmou a garota.

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