Parlamentares protocolam CPI do Corinthians

30 de outubro de 2007 • 18h51 • atualizado às 19h28

Maria Clara Cabral
Direto de Brasília

Brasília


Parlamentares protocolaram no início da noite desta terça-feira o requerimento para a instalação de uma CPI mista com o objetivo de apurar crimes financeiros na parceria entre o Corinthians e a empresa MSI. No total, 209 deputados e 38 senadores assinaram o documento. O mínimo para que a comissão seja instalada são 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Na terça-feira, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, disse que a Fifa não iria permitir que o Comitê Organizador do Mundial fosse submetido a uma CPI.

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Em entrevista exclusiva ao Terra, em Zurique, às vésperas da oficialização do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, Teixeira disse que a CPI que pretende investigar lavagem de dinheiro no futebol, especialmente no caso MSI/Corinthians, é só uma fachada.

"Eu tenho visto várias entrevistas das pessoas que estão propondo a CPI e o projeto deles final é atingir a Copa de 2014 para saber como vai gastar, como não vai gastar, como que vai ser. Sejamos muito objetivos. (A Copa) é uma iniciativa privada. Então, isso definitivamente a Fifa não vai permitir", disse.

Hoje, a Fifa anunciou oficialmente o Brasil como país sede da Copa do Mundo de 2014, em cerimônia realizada na Suíça. Apesar da pressão da CBF e de governadores para que a CPI não fosse instalada, o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP), um dos responsáveis por colher as assinaturas, acredita que os parlamentares manterão o apoio.

O requerimento foi protocolado somente depois do anúncio oficial da FIFA, em um acordo entre os parlamentares para evitar que a medida pudesse prejudicar a escolha do País como sede.

Os parlamentares podem retirar o apoio ao requerimento até o dia em que o presidente do Congresso Nacional fizer a leitura do documento em Plenário. A CPI tem prazo de 120 dias, prorrogáveis por mais 60 dias.

Torres, que disse ser corintiano, negou que a instalação da CPI possa prejudicar o desempenho do Brasil como organizador da Copa do Mundo de 2014. "O que atrapalha o Brasil na Copa do Mundo é a incompetência e a irresponsabilidade no futebol", disse ele.

O deputado atacou o presidente da CBF, dizendo que Teixeira esteve várias vezes no Congresso Nacional no últimos dias para tentar convencer os líderes partidários de que a CPI não é necessária. "A pressão já vem a 30 dias. Não sei do que a CBF tem tanto medo. Espero que o Ricardo Teixeira explique isso", afirmou.

Redação Terra
 
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