Confederação denuncia leite adulterado há 5 anos

24 de outubro de 2007 • 08h12 • atualizado às 08h19

Felipe Gil e Juliana Jaeger

Brasil


O presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, afirma que a entidade faz denúncias sobre leite adulterado ao Ministério da Agricultura há pelo menos cinco anos. A Polícia Federal prendeu na segunda-feira um grupo acusado de adulterar leite longa vida em Minas Gerais.

» PF investigará outras supostas fraudes
» Cooperativas adulteram 450 mil l de leite
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"Tem cinco anos que estamos denunciando isso. Fizemos inúmeras reuniões com o Ministério da Agricultura. As coisas foram muito morosas. Sabíamos que havia uma série de fraudes. A notícia não é surpresa. A surpresa é a ação", disse Alvim.

Na segunda-feira, a Polícia Federal prendeu 27 pessoas na Operação Ouro Branco em Uberaba e Passos, em Minas. Elas são suspeitas de integrar um grupo que fraudava a produção de 450 mil l de leite longa vida por dia com substâncias que tornam o produto impróprio para consumo humano.

Em março deste ano, segundo Alvim, a CNA procurou a Secretaria de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, à qual a PF é subordinada, para apresentar a denúncia. "A denúncia era sobre uso de água e soro, não sabíamos desses outros produtos para prorrogar a validade. Era uma denúncia econômica, não sabíamos que poderia fazer mal à saúde", disse.

Segundo ele, entraves burocráticos limitam a atuação do Ministério da Agricultura. "Não acho que (o ministério) foi negligente. Tem todo um entrave burocrático que não o deixa agir. Não pode, por exemplo, pegar mostra no varejo. Tem que avaliar prova, contra-prova e terceira prova antes de adotar punições", afirmou.

Alvim acredita que, com o recolhimento de outras amostras de leite longa vida pelo País, certamente outros fraudadores aparecerão. "Da forma como está, parece que só as cooperativas fraudam. Espero que outros apareçam para que a verdade fique pública. É certo como dois e dois são quatro que há mais fraudes", assegurou.

Para o superintende-técnico da CNA, Ricardo Cota, o atual período de escassez do leite, que fez com que os preços subissem acima de patamares históricos, contribuiu para que houvessem fraudes. "Todo produto valorizado acaba provocando fraudes. Nesse caso, prejudica os produtores, que fornecem matérias-primas e podem ver a procura por seus produtos caírem, e os consumidores, que compram gato por lebre", disse Cota.

Cota e Alvim orientam os consumidores a procurarem marcas conhecidas e com preço na média praticada pelo setor. "Se na prateleira tem um leite a R$ 1,40 e outro a R$ 0,89, desconfie. Só a embalagem custa R$ 0,40. Ninguém faz milagre", afirmou Alvim.

Ministério nega morosidade
O coordenador-geral de Inspeção Federal do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Marcius Ribeiro de Freitas, admitiu que o ministério recebeu as denúncias da CNA, mas negou morosidade no trabalho. Segundo ele, o ministério tem agido desde o fim de 2003 na análise de produtos lácteos de origem contestada.

"O nosso método de trabalho é amparado em um sistema internacional, não podemos fazer uma ação ostensiva como a Polícia Federal. Não temos o poder de prender ninguém", afirmou.

Freitas disse que o ministério já analisou mais de quatro mil amostras de leite no Brasil para verificar possíveis adulterações. Segundo ele, desde 2003 até agosto deste ano foram apresendidos mais de 5 t de produtos lácteos.

O coordenador admitiu que existem menos fiscais do que o necessário e que não há como fazer a fiscalização durante 24 horas dentro das empresas. No entanto, ele garantiu que isso não representa um problema e que concursos para a constração de novos profissionais para o setor de fiscalização serão realizados.

Redação Terra
 
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